Escrevo esta crónica no Dia do Pai e não podia deixar de ocupar este espaço a insistir no papel decisório que temos no futuro saudável dos nossos filhos. Mas antes que desvie o olhar e folheie esta página, deixo já a responsabilidade do seu lado sobre o que se segue... O seu filho pode vir a desenvolver doenças graves relacionadas com maus hábitos alimentares e falta de atividade física! É factual. E não calha apenas aos filhos dos outros. Estou certo de que é um excelente pai/mãe, mas por vezes não chega proteger, não chega garantir, não chega querer o melhor.Portugal enfrenta níveis preocupantes de obesidade infantil e o mais inquietante não é apenas o número, é a normalização. As crianças cansam-se facilmente, as vidas sedentárias dos pais refletem-se nelas com o tempo, a alimentação rápida que se come e que se dá a comer está habitualmente mascarada de conveniência. A recompensa fácil, o ecrã como babysitter, a falta de tempo. Tudo compreensível, tudo humano, tudo faz parte desta sociedade que vive em alta rotação, mas tudo isto também é cumulativo.Você, provavelmente, faz parte da primeira geração de pais a ter de lidar com este tipo de desafio exatamente desta forma. Mas também faz parte dessa primeira geração que nunca teve tanto acesso a informação, a ferramentas, a alternativas como agora. A questão não é, parece-me, se sabemos o suficiente, é se estamos dispostos a agir de forma diferente.Talvez a mudança comece em pequenos gestos. Em caminhar mais e conduzir menos. Em cozinhar mais com eles e comprar menos “comida fácil”. Em dizer não, quando é mais fácil dizer sim. Dê o exemplo. E lembre-se sempre de que as crianças dificilmente valorizam o que não veem. Se o desporto não fizer parte da vida dos pais, dificilmente fará parte da delas. No final, o que está em causa não é apenas o peso de uma criança. É o peso das decisões que moldam o adulto que ela vai ser. E essa responsabilidade, embora inquietante, neste momento é sua. Dá que pensar?- 31,9% das crianças entre os 6 e os 8 anos têm excesso de peso; 13,5% já são consideradas obesas. Fonte: Sistema de Vigilância Nutricional Infantil (COSI)- 64% das crianças entre os 10 e 11 anos são fisicamente pouco ativas. Fonte: Direção-Geral da Saúde- 1 em cada 6 jovens faz o mínimo necessário para a saúde.- 80% da população portuguesa não cumpre os níveis recomendados de atividade física, o que demonstra que o problema não começa nas crianças, é cultural e transversal às famílias.