NBA evoca memórias dos anos 90 na antecâmara do Mundial

Rui Frias

Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias

Publicado a

As Finais da NBA voltam a juntar este ano San Antonio Spurs e New York Knicks, 27 anos depois de ambas as equipas terem disputado o primeiro troféu Larry O’Brien (a taça de campeão) da era pós-Bulls de Michael Jordan, em 1999. Então, numa temporada encurtada por uma greve dos jogadores, os Spurs não deram hipóteses aos Knicks e venceram a série final por 4-1, naquele que foi o primeiro título com o histórico Gregg Popovich no comando técnico da equipa de San Antonio.

Muito mudou desde essa altura na NBA e nas duas equipas. De então para cá, os Spurs ganharam o troféu de campeão por mais quatro vezes (2003, 2005, 2007 e 2014), enquanto os Knicks passaram uma longa travessia do deserto e só agora estão de volta às Finais. Mas mudou, sobretudo, e quase radicalmente, a natureza do próprio jogo. O basquetebol da NBA, hoje, mistura um ritmo frenético de transições com uma espécie de concurso de três pontos permanente, com toda a gente a correr e a lançar muito, enquanto nesses agora longínquos anos 90 a NBA era mais um universo de batalhas físicas intensas, sobretudo debaixo do cesto, e no qual nenhum ponto saía de borla.

Michael Jordan e Bulls à parte, essa foi uma década dominada pelos postes, os homens grandes junto ao cesto, e um mantra, repetido até à exaustão, de que “o ataque pode ganhar jogos, mas a defesa ganha campeonatos”. Nessa liga de durões, Spurs e Knicks tinham das equipas mais intensas da liga, construídas em redor dos seus postes: de um lado Pat Ewing, que viu sempre escapar-lhe a consagração por entre os dedos no conjunto de Nova Iorque; do outro, o então novato Tim Duncan ao lado do veterano almirante David Robinson, numa das melhores versões de “torres gémeas” que a liga teve.

Agora, 27 anos depois, Spurs e Knicks voltam a encontrar-se na disputa pelo troféu. Na primeira época pós-Gregg Popovich no banco dos texanos, o técnico Mitch Jonhson soube potenciar o grande fenómeno geracional da atual NBA, o francês Victor Wembanyama, um rapaz de 2,24 metros que consegue ser tão letal perto da tabela como para lá da linha de três pontos. Já nos Knicks, a história deste regresso improvável às Finais mistura a redenção de um treinador anteriormente mal tratado na liga, Mike Brown, e uma equipa equilibrada entre ataque e defesa, comandada liderada por um duo com um QI basquetebolístico diferenciado: o base Jalen Brunson e o poste Karl-Anthony Towns. As duas equipas já se encontraram na final da NBA Cup, uma espécie de título de inverno, na qual os Knicks levaram a melhor.

Por cá, também é hora de decisões na liga de basquetebol, com Benfica e FC Porto a disputarem mais uma vez o título, pela terceira temporada consecutiva. As águias procuram o penta, os dragões tentam interromper a hegemonia do rival.

Este fim de semana vamos ficar também a conhecer os novos reis da terra batida em ténis, com a certeza já de que Roland Garros vai coroar campeões inéditos tanto nos homens como nas mulheres.

E, claro, começam a suceder-se os jogos finais de preparação para o Mundial de futebol que arranca já na próxima quinta-feira (11). Este sábado há um Portugal-Chile.

É uma altura excitante do ano desportivo. Venham de lá essas pipocas.

Diário de Notícias
www.dn.pt