Memórias de Maradona e de um trio holandês

Rui Frias

Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias

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Estivéssemos nós nos anos 80 do século passado, com apenas dois canais de televisão disponíveis e um jogo de futebol televisionado em direto só quando o rei fazia de anos, eu saberia bem que “jogaço” ia lamentar não ver nesta próxima ronda de regresso dos campeonatos nacionais, após o interregno para seleções.

Destino: Nápoles, Estádio Diego Armando Maradona, onde na próxima segunda-feira (19h45, SportTV3) a equipa da casa recebe o AC Milan para uma reedição daquele que já foi o duelo mais apetecível do futebol europeu, nesses anos finais da década de 1980. Desde logo, muito por causa do senhor que dá hoje nome ao estádio (que na altura era conhecido como San Paolo).

São memórias distantes, numa altura em que Itália chora mais uma trágica ausência de um Mundial, mas falamos de um tempo em que o calcio era rei e a Série A italiana o mais apetecível e poderoso dos campeonatos europeus, o Olimpo das táticas, atraindo os principais craques de um tempo ainda pré-Lei Bosman, em que só três estrangeiros por equipa eram permitidos em campo.

"Menções honrosas: vêm aí, na próxima semana, reencontros emotivos nas provas europeias, com Gyokeres (Arsenal) em Alvalade e Vítor Pereira (Nottingham) no Dragão. E este domingo há Volta à Flandres, uma das clássicas mais duras e icónicas do ciclismo - um verdadeiro 'Monumento'."

Nápoles vivenciou o Maradona prime. “D10s” era a estrela absoluta em torno da qual girava tudo o resto (onde figuraram outros craques, como os brasileiros Careca e Alemão, ou italianos de primeira linha como Carnevale, Crippa, Giordano…). Já o AC Milan era a obra-prima de autor de Arrigo Sacchi, uma máquina de pressão alta e linhas compactas que tinha no trio holandês Rijkaard-Gullit-Van Basten o seu toque de genialidade, apoiado por um coletivo poderosíssimo (Baresi, Maldini, Donadoni, Ancelotti...)

O Nápoles ganhou dois títulos de Campeão italiano com Maradona (87 e 90) e o Milan de Sacchi “apenas” um (88), mas a equipa rossonera juntou a isso duas Taças dos Campeões Europeus consecutivas (1989 e 1990, esta às custas do Benfica) e o Nápoles também levantou a Taça UEFA (1989).

O duelo de segunda-feira estará longe de ter a aura dos que protagonizaram Maradona, Gullit, Van Basten e companhia naquele calcio fervoroso dos anos 80, mas Nápoles e Milan voltam a lutar pela glória numa Série A empalecida, da qual a equipa napolitana é mesmo a campeã em título. As duas equipas estão separadas por um ponto, com o Milan (63 pontos) do “nosso” Rafael Leão em segundo lugar e logo atrás o Nápoles (62), onde o coletivo de Antonio Conte conta com nomes como o dinamarquês Hojlund, o escocês McTominay e o veterano belga De Bruyne. E ambas as equipas só podem pensar em jogar para ganhar, de forma a não deixar fugir o Inter (69) na tabela.

Como aperitivo, no entanto, recomendo vivamente um flashback até aos gloriosos finais de 80, num qualquer YouTube perto de si: no total, nas quatro épocas em que o Nápoles de Maradona coexistiu com o Milan de Sacchi, só por uma vez os de Milão conseguiram ganhar no San Paolo: logo na primeira temporada, 87/88, num triunfo (2-3) decisivo para o título, a três jornadas do fim. Nas duas temporadas seguintes, Diego e a sua banda fizeram questão de vingar bem essa derrota (3-0 e 4-1). O ocaso desta rivalidade geracional firmou-se com um empate (1-1), em 90/91. Maradona marcou em todos eles.

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