Apesar dos problemas físicos na 2.ª metade da temporada, a presença de Rúben Dias é um dado adquirido.⠀Estamos a falar de um dos indiscutíveis da nossa Seleção. Após a despedida de Pepe dos relvados, o central do Manchester City assumiu-se definitivamente como o patrão da nossa defesa.⠀Rúben Dias é um central, essencialmente, forte no momento sem bola.⠀Tornou-se numa referência pelo sentido posicional, a agressividade e imponência nos duelos e a competência na proteção da área. Não tem na saída de bola uma das suas especialidades.⠀Nesse sentido, o ideal seria ter ao seu lado um perfil complementar, ou seja, um jogador mais forte com bola. ⠀E a verdade é que, no lote de centrais convocados por Roberto Martínez, temos opções para tal. Gonçalo Inácio e Tomás Araújo, acima de tudo, destacam-se pela qualidade na 1.ª fase de construção. ⠀Têm capacidade de encontrar linhas de passe dentro do bloco adversário e são fortes a libertar-se com critério da pressão adversária.⠀À partida, Gonçalo Inácio seria o jogador melhor posicionado para assumir o lugar. Leva a vantagem de ser canhoto e já ter na bagagem uma experiência assinalável na Seleção — 22 internacionalizações, tendo sido o parceiro de Rúben Dias na final-four da Liga das Nações 2025.⠀Contudo, estes recentes jogos de preparação (Chile e Nigéria) expuseram a pior face de Gonçalo Inácio.⠀Desde a suavidade nos duelos até às dificuldades no controlo da profundidade, Inácio fez 2 exibições que fizeram soar alguns alarmes.⠀Posto isto, é natural que se avalie alternativas.⠀Pela questão da complementaridade com Rúben Dias, Tomás Araújo seria a alternativa mais razoável.⠀O problema é que o central do Benfica é uma incógnita em contexto de Seleção. À semelhança de Gonçalo Inácio, também não oferece totais garantias nos duelos (sobretudo aéreos).⠀Além disso, de forma a potenciar as suas qualidades no passe, obrigaria a uma ligeira mudança na estrutura da nossa Seleção. Rúben Dias teria de passar para central da esquerda para que Tomás Araújo pudesse jogar à direita. Um cenário que nunca foi testado.⠀Resta Renato Veiga.⠀No plano teórico, é a opção que garante mais estabilidade e segurança defensiva. Não sendo um central de topo, dá mais garantias sem bola, pela agressividade que impõe. Mesmo em termos de controlo das suas costas, tem alguma velocidade que lhe garante fiabilidade nesse aspeto.⠀O facto de ser canhoto é um fator a ter em consideração, mas a verdade é que não tem no passe ou na condução dois argumentos fortes do seu jogo. Não é um central que crie desequilíbrios na construção desde trás.⠀Face a todo este cenário, a conclusão é que não existe uma solução ideal.⠀Logo, Roberto Martínez tem um dilema: preferência por uma saída de bola limpa ou prioridade à segurança defensiva?⠀O nosso primeiro adversário, a RD Congo, também não ajuda o nosso selecionador a tomar uma decisão…⠀Por um lado, a RD Congo é uma seleção extremamente física e vertical. Aposta forte no jogo direto e quererá levar o jogo para uma dimensão onde os duelos ganharão importância. Bakambu e Wissa formam uma dupla de pontas de lança que exige agressividade e fisicalidade a quem os defende.⠀Por outro, este será um jogo no qual, certamente, Portugal terá de assumir totalmente a iniciativa. Para desbloquear um presumível bloco baixo, seria importante ter argumentos fortes na construção.⠀Pesando todos os prós e contras, sentado na minha confortável cadeira de adepto, pelo menos no jogo de estreia, jogaria pelo seguro e pela opção — acredito eu — mais equilibrada: Renato Veiga.⠀A decisão está nas “mãos” de Roberto Martínez…