Hoje é um dia triste e, em simultâneo, estranho.
Triste porque assistimos à despedida inglória da nossa Seleção do melhor jogador português de sempre.
Estranho porque o único culpado por este desfecho é o próprio…
Jorge Jesus não empurrou Ronaldo para fora da Seleção. Deixou, aliás, sempre claro que contava com o capitão. Enalteceu sempre a sua importância, tanto dentro como fora de campo. Encheu-o de elogios em diversos momentos.
O problema é que o papel que Jorge Jesus tinha para Ronaldo envolvia algo que este nunca fez ao longo da sua carreira: colocar-se em segundo plano.
Com uma função limitada em campo (homem essencialmente de área e último toque) e uma gestão que priorizasse sempre o coletivo, mesmo com 41 anos, Ronaldo ainda poderia ter utilidade na nossa Seleção. Jorge Jesus era defensor desta ideia. Daí contar com ele.
Infelizmente, a definição de “utilidade” para Cristiano Ronaldo aparenta não estar totalmente alinhada com a realidade.⠀
Para Ronaldo, parece que só é possível dar um contributo positivo à Seleção se for gerido como Roberto Martínez o geriu no Mundial 2026.
Ora, Jorge Jesus não é uma “marioneta”. Não está disposto a tomar decisões que vão contra os seus ideais. É alguém que pensa pela própria cabeça. Tem convicções fortes.⠀
Contava com Cristiano Ronaldo, mas tinha muito claro que a sua prioridade é construir uma equipa capaz de alcançar grandes feitos.
Nesse sentido, Ronaldo pôde escolher entre duas opções: Priorizar o coletivo e ajudar a nossa Seleção neste novo ciclo, aceitando um papel ajustado ao rendimento que ainda apresenta; ou exigir um estatuto compatível com o que fazia há 5, 10 ou 15 anos, acabando por sair pela “porta pequena”.⠀
Lamentavelmente, Ronaldo escolheu a segunda opção.
Cristiano Ronaldo não merecia o que o Cristiano Ronaldo lhe fez ao longo destes últimos dias.
Todos os acontecimentos desde domingo até ao dia de hoje, culminando no abandono do estágio da Seleção, colidem com os princípios do que deve ser um capitão de equipa. Acima de tudo, representam uma traição do próprio ao legado de compromisso, talento e paixão que construiu ao serviço de Portugal.⠀
Dar um passo ao lado não seria vergonha nenhuma. Pelo contrário: era a melhor forma de defender o inigualável legado de melhor jogador português de sempre…