O próximo domingo não será apenas o dia do primeiro FC Porto-Benfica da época. Será também o momento em que Portugal poderá perceber melhor a dimensão do que está a acontecer no triatlo nacional. Não é exagero: Vasco Vilaça lidera o Mundial e Ricardo Batista é 3.º, a uma semana da final de Pontevedra, onde, entre 23 e 27 de setembro, se decidirão os títulos mundiais.
Durante demasiado tempo, habituámo-nos a olhar para o triatlo português como uma modalidade de talento intermitente, capaz de produzir boas prestações e resultados simpáticos, mas sem a regularidade que constrói verdadeiras referências internacionais. Esta época está a contrariar essa ideia.
Vasco Vilaça chega à semana decisiva no 1.º lugar do Ranking Mundial, à frente do australiano Matthew Hauser. Ricardo Batista, 3.º, mantém-se na corrida por um lugar de topo num desfecho que pode tornar-se histórico para Portugal. Não se trata de antecipar medalhas, nem de transformar a expectativa numa obrigação. O desporto tem demasiadas variáveis para isso e o triatlo, em particular, não perdoa um dia menos conseguido.
A Taça da Europa de Coimbra, no domingo, 20 de setembro, ganha, por isso, um significado maior. Não é apenas uma prova internacional com perto de 150 atletas de 22 países e 12 portugueses inscritos. É o retrato de uma modalidade que está a crescer, que sabe organizar-se e que começa a ter uma base competitiva mais larga. Enquanto Vilaça e Batista preparam a decisão do Mundial, Coimbra recebe a elite europeia numa cidade que pode acompanhar a natação no Mondego, o ciclismo e a corrida sem ter de esperar por uma medalha olímpica para descobrir que o triatlo existe.
Em Copenhaga, seis portugueses estarão também nos Mundiais de Estrada, na meia-maratona. Samuel Barata, Miguel Borges, Rui Pinto, Susana Santos, Salomé Rocha e Mónica Lopes Silva carregam outra forma de exigência: a de correr contra alguns dos melhores do mundo sem a proteção de uma equipa, de um banco ou de uma substituição.
Também eles merecem atenção, porque o desporto português é feito desta persistência silenciosa, tantas vezes invisível até ao dia em que alguém sobe a um pódio.
E depois, sim, chega o Dragão. Às 20h30, FC Porto e Benfica jogam o primeiro clássico da Liga, com o campeão e líder isolado a receber um rival que sabe bem o peso destes jogos. Não decide o campeonato em setembro, mas pode mudar o ambiente de uma época.
Será o jogo que vai prender o país ao sofá. E deve prendê-lo. Mas talvez valha a pena chegar ao clássico depois de olhar para o que aconteceu em Coimbra e em Copenhaga. Porque, antes de o futebol dividir o país em azul e branco ou vermelho, há um Portugal inteiro a correr por mais.