O primeiro HYROX oficial em Portugal confirmou o sucesso que se antevia. Depois do evento, nas redes sociais praticamente não se falava de outra coisa, o que faz antever uma margem enorme de crescimento na captação de novos praticantes.Mulheres e homens de todas as idades participaram na competição em single, em dupla ou em equipas de quatro. Mas há um detalhe particularmente revelador. Muitos dos participantes monitorizaram tudo, e a própria app da organização é valiosa nesse sentido, com registos das corridas e de todas as estações. Torna-se automaticamente mais apetecível voltar a participar num outro HYROX, mesmo que seja fora do país, para tentar melhorar a performance. Um vício saudável, se não olharmos à carteira, claro, porque há sempre o custo da viagem e da inscrição.Importa, no entanto, realçar a importância dos registos antes, durante e depois das provas, independentemente da modalidade. Estes dados ajudam a acompanhar a evolução ao longo do tempo e a comparar desempenhos. Medem passos, sono, batimentos cardíacos, percentagem de massa gorda ou de músculo, recuperação muscular, níveis de stress. E isto significa disciplina.Durante décadas, este tipo de relógios, pulseiras ou aplicações estava praticamente reservado aos atletas. Hoje, graças aos avanços tecnológicos e à democratização destes dispositivos, quem treina com regularidade já não abdica dessa monitorização. E este hábito traz consigo algo relevante, uma maior consciencialização sobre saúde, prevenção de doenças e longevidade.Há também algo de admirável neste fenómeno. Nunca tantas pessoas que treinam regularmente se preocuparam tanto em dormir melhor, comer melhor, viver mais tempo, cuidar da saúde física e mental. Em teoria, deveríamos estar perante uma evolução civilizacional. Mas será que, na prática, estamos?Existe hoje uma clara noção da importância de praticar exercício físico, mesmo entre quem não o faz. Ainda assim, uma parte significativa das pessoas não treina apenas para ser mais saudável. Procura sobretudo controlo. Controlar o peso, controlar a relação entre idade e aparência, controlar a energia, controlar a mobilidade, controlar o caos do dia a dia.Talvez seja por isso que estejam a crescer os ginásios boutique, espaços premium de acompanhamento individual, onde treinar também é negociar discretamente com o tempo. Porque no final, entre métricas, relógios e estatísticas pessoais, há uma ideia simples que nos move: continuar a ganhar pequenas vitórias contra o relógio e adiar o momento em que sentimos que já não estamos no controlo.