"Localidades como Oeiras, Sintra, Cascais e, mais ao sul, Alcochete e Palmela têm vindo a demonstrar características que lhes permitem disputar, de forma crescente, a atenção dos compradores high-end"
"Localidades como Oeiras, Sintra, Cascais e, mais ao sul, Alcochete e Palmela têm vindo a demonstrar características que lhes permitem disputar, de forma crescente, a atenção dos compradores high-end"Foto: Reinaldo Rodrigues

Opinião. O entorno de Lisboa como a próxima fronteira do imobiliário de luxo

"A saturação natural de oferta nas zonas mais tradicionais tem empurrado projetos mais diferenciados para novos territórios adjacentes"
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Texto: Ayres Neto*

O mercado imobiliário de luxo em Portugal consolidou-se como um destino sólido para investir e viver, com procura sustentada de múltiplas nacionalidades e um crescimento de transações robusto entre 2023 e 2025, tendência que se antecipa continuar em 2026. Este contexto forte cria uma dinâmica natural que transborda da capital para o seu entorno imediato e para zonas com atributos complementares à própria cidade.

Lisboa mantém-se no epicentro do luxo residencial, mas localidades como Oeiras, Sintra, Cascais e, mais ao sul, Alcochete e Palmela têm vindo a demonstrar características que lhes permitem disputar, de forma crescente, a atenção dos compradores high-end. A chamada “Riviera Portuguesa”, que integra Oeiras e Cascais — historicamente associados a públicos sofisticados — continua sendo a referência pelo seu historial de qualidade de vida e infraestrutura urbana. No entanto, a saturação natural de oferta nas zonas mais tradicionais tem empurrado projetos mais diferenciados para novos territórios adjacentes.

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A transição destas localidades para mercados de luxo exige um conjunto de fatores bem articulados. Não se trata apenas de preço por metro quadrado, mas de criar um valor percebido distintivo — cultura local, acessibilidade, serviços premium, escolas internacionais e gestão estratégica do território. Neste sentido, municípios com receitas municipais mais robustas, capacidade de licenciamento ágil e visão urbanística integrada estão melhor posicionados para captar investimento de alta gama.

A valorização progressiva de segmentos como sustentabilidade, tecnologia, conforto e experiências de vida traduz-se numa procura que já ultrapassa a simples função residencial, influenciando a percepção de luxo e o UAU factor associado a cada projeto.

A leitura técnica do mercado indica que o entorno de Lisboa tem potencial não apenas como alternativa à capital, mas como um conjunto de mercados especializados que podem complementar o posicionamento prime de Lisboa, respondendo a perfis de comprador sofisticados. Estes procuram desde moradias isoladas com privacidade absoluta até projetos arquitetônicos exclusivos e integrados no território.

*Ayres Neto é luso-brasileiro e managing partner da The Agency Portugal

O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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