Qualquer dia mato-me

Agosto já acabou, mas os dias continuam longos e luminosos. O que pode ser terrível, para quem leva uma tristeza interior difícil de suportar. O Alentejo Litoral é a região com a mais alta taxa de suicídio do país, e Odemira é o coração do fenómeno - que se acentua a partir da primavera e no verão. A morte torna-se uma solução para a vida, especialmente entre os mais velhos, em reta final de solidão e de carências afetivas e materiais. Na semana do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (10 de setembro), uma reportagem no mais extenso e pouco povoado concelho do país.

«Matou-se o meu pai. Matou-se a minha mãe. Matou-se um irmão meu. Matou-se um irmão da minha mãe. Matou-se um tio do meu pai.» Desatento à cronologia, Eduardo, 63 anos, desfia o catálogo de desaparecimentos familiares. Assinala o fado genealógico ao ritmo de batidas na mesa da cozinha, diferente da da sua infância - aqui tem luz de rede e água canalizada, «luxos» que muitos nesta zona, nas áreas mais isoladas, não têm. Isolamento é palavra-chave para explicar um fenómeno que historicamente tem a maior expressão no Alentejo, em particular no Alentejo Litoral, de que Odemira, o mais extenso e parcamente povoado concelho do país, é o expoente: o suicídio, sobretudo na população mais idosa.

Os dados mais recentes do Comando Territorial de Beja da GNR, que elenca os suicídios de todo o distrito, atribuem a Odemira 102 vítimas com mais de 60 anos entre 2003 e agosto de 2016, comparativamente aos 404 de todo o distrito de Beja no mesmo período e faixa etária. Porquê Odemira?

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