'Workington Man', o eleitor-tipo que Boris Jonhson precisa de convencer para ter maioria

Estudo do instituto Onward projeta o eleitor que vai decidir estas eleições como sendo masculino, branco, com mais de 45 anos, sem educação universitária e que votou no Brexit no referendo de 2016.

As eleições legislativas britânicas de 12 de dezembro vão ser decididas pelo Workington Man, o eleitor chave idealizado para a era pós-Brexit e que pode estar indeciso entre os partidos Conservador e Trabalhista.

Um estudo formulado pelo instituto Onward projeta o eleitor que vai decidir estas eleições como sendo masculino, branco, com mais de 45 anos, sem educação universitária e que votou para a saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 2016.

"Os campos de batalha" destas eleições, refere o estudo "The Politics of Belonging" vão ser cidades do norte e centro de Inglaterra, com fortes raízes da classe trabalhadora e tradições trabalhistas, como Workington, Wigan, Wakefield, Castleford, Dewsbury.

Workington é uma pequena cidade histórica na foz do rio Derwent, na costa do noroeste de Inglaterra, e a principal na região de Cumbria, onde a exploração do ferro e carvão no século XVIII contribuiu para a revolução industrial.

Até agora, estas cidades de regiões com tradição de râguebi eram fiéis ao Labour, mas a crise política oferece uma oportunidade para o partido Conservador conquistar alguns destes lugares e garantir uma maioria absoluta no parlamento.

Porém, concretizar o Brexit não é suficiente: segundo o estudo, os Conservadores precisam de ir para além das políticas habituais de cortar impostos e liberalizar a economia e investir em serviços públicos, como a saúde, escolas e segurança social.

"Boris Johnson precisa de converter-se ao que chamamos de conservadorismo para o bem comum e oferecer políticas aos eleitores que restaurem um sentimento de comunidade e de proteção contra as inseguranças da vida moderna", resumiu o diretor do Onward, Will Tanner.

Os estereótipos demográficos são uma tradição nas eleições britânicas, remontando aos anos 1980, quando o chamado Essex Man, eleitor pouco qualificado e tradicionalmente trabalhista, ajudou Margaret Thatcher a ganhar três eleições consecutivas.

Em 1997, o New Labour de Tony Blair desenhou a campanha para conquistar tanto o Mondeo Man, eleitor de classe média, e a Worcester Woman, eleitora do norte de Inglaterra mais conservador, ambos com aspirações sociais e económicas.

Nas eleições de 2010, o Partido Conservador de David Cameron apontou cargas à Holby City Woman, mulheres funcionárias públicas com entre 30 e 40 anos que gostam de telenovelas, e o Motorway Man, homem de classe média com residência junto a grandes vias rodoviárias.

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