VOX no Parlamento Europeu: "Sem Espanha todas as mulheres na sala usariam burka"

Líder do partido eurocético VOX foi o principal interveniente de uma conferência que teve momentos tumultuosos

O secretário-geral do partido espanhol eurocético e anti-imigração VOX, Javier Ortega Smith foi o principal orador de uma conferência com o tema "Catalunha, uma Região Espanhola", na qual criticou duramente o processo que pretendia conduzir à independência catalã.

"Viemos para desmontar as mentiras do separatismo", declarou Javier Ortega Smith, em declarações registadas pelo DN à margem da conferência, tendo podido esclarecer algumas das afirmações que fez na sala, como a associação que fez entre batalhas em Espanha e mulheres de burka.

"Terreorífica" mentira

As criticas do dirigente do Vox foram principalmente apontadas a Carles Puigdemont que classificou como "um grande cobarde", tendo também criticado "a sua marioneta", referindo-se ao actual presidente da Generalitat, Quim Torra.

"É uma vergonha, na Europa, que haja governos regionais que se tenham convertido em autênticos governos totalitários, depreciado as resoluções do tribunal constitucional, o Tribunal Supremo, que está a julgar um governo regional de Espanha (...) por gravíssimos delitos", afirmou, referindo-se aos processos que correm em Madrid, contra os antigos governantes da Generalitat da Catalunha, considerando que o independentísmo catalão não passa de uma ""terreorífica" mentira".

Por isso, anunciou que "a partir de agora" virá ao Parlamento Europeu "uma e outra vez e as vezes que forem precisas", para "explicar" em encontros com parlamentares, a "trágica verdade, sobre o que estão a sofrer milhões de espanhóis, com o separatismo".

Autorização polémica

A conferência em que o Parlamento Europeu acolheu um alto representante do partido de extrema-direita acontece num momento sensível, depois de, há pouco mais duas semanas, ter recusado uma conferência "sobre a mesma temática", em que participaria Carles Puigdemont e Quim Torra, como frisou o eurodeputado catalão, do partido Esquerda Republicana da Catalunha, Jordi Solé em declarações ao DN.

"O facto de duas conferências, sobre mesmo tema, haver uma que é proibida e outra não, diz muito do conceito de liberdade de expressão que a liderança do Parlamento Europeu - e não toda a instituição - está a considerar uns como os mais e outros como os Bons", disse o político catalão, que assistiu à intervenção em que do representante do Vox, considerada que há finalmente "esta tomada de posição" contrasta com o "silêncio" que caracterizou a reação das instituições europeias, sobre a questão catalã.

"Aqui, no Parlamento europeu, não estamos acostumados a escutar intervenções tão superficiais e com tanta falta de conhecimento, que mais parece a repetição de uma lista de tuites", criticou Jordi Solé, referindo-se ao "tom de nacionalismo étnico exagerado" com que Smith falou naquela instituição em Bruxelas.

Pateada

O momento alto da conferência, acabou por ficar reservado para a intervenção do deputado nacionalista flamengo, do partido N-VA, Mark Demesmaeker que, num tom critico, partir da bancada, falou da atuação da polícia espanhola, no dia do referendo, tendo ainda apontado o dedo à justiça do país por fazer "presos políticos".

A extensa intervenção do deputado acabou por ser interrompida por apupos, gritos e inúmeras criticas da audiência, num momento muito barulhento, com palmadas nas mesas e uma pateada, em resposta às palavras do deputado belga. Entre os críticos, estavam também membros da equipa de pelo menos um deputados favoráveis ao Brexit.

Já antes tinha havido um outro incidente, com um grupo de uma dezena de funcionários do Parlamento Europeu, defensores dos direitos LGBT, que boicotaram o arranque da conferência, por alguns minutos, erguendo cartazes, que no seu conjunto, compunham a frase "os nossos direitos não são negociáveis".

Todas de Burka

Durante a intervenção, Javier Ortega Smith fez uma afirmação que causou grande reação, entre a plateia, quando disse que "sem Lepanto e Carlos V, as senhoras de esta sala vestiriam burka". Mais tarde foi convidado a explicar o que queria dizer, pelos inúmeros jornalistas que o esperavam.

"Referia-me historicamente a duas conquistas, para fazer uma visão rápida do que representa Espanha na Europa. Referia-me à Batalha das Navas de Tolosa, à batalha de Lepanto, como duas conquistas históricas que puseram travão à invasão islâmica na Europa", disse o secretário-geral do Vox, embora parecendo cair em alguma imprecisão histórica, para fazer um paralelo à "história actual".

Javier Ortega Smith referiu que, no presente, "as políticas dos Merkel, dos Soros, dos Macron - nomeadamente o relativismo globalista, que abriu as fronteiras da Europa, sem qualquer controlo e que não acredita na segurança da Europa -, pode conduzir-nos ao risco de que a Europa termine".

O líder do partido populista que pode conquistar sete deputados, de acordo com os dados agregados do parlamento europeu, afirmou que em "alguns países e em alguns bairros [europeus] já se produz a aplicação da lei Sharia, onde a mulher tem que caminhar dez passos atrás do homem e com burka", lamentado que "isto seja aquilo que os movimentos feministas - que preferimos chamar de "femi-nazis", nunca denunciam".

"Somos a favor da igualdade das mulheres e não queremos uma Europa em que as mulheres tenham de ir com burka", disse, criticando os países "teocráticos" islâmicos "que defendem a discriminação das mulheres".

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