Von der Leyen pede a Boris Johnson para nomear comissário britânico

A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen enviou carta a Boris Johnson, exigindo-lhe que nomeie comissário britânico.

Ursula von der Leyen exigiu esta quarta-feira ao primeiro-ministro britânico para que "sem demoras" apresente o nome de um comissário britânico, lembrando-lhe que a paridade de género é critério prioritário. Mas, há outros detalhes "importantes" para a apresentação de um nome, como a "convicção" relativamente ao projeto europeu.

"A presidente eleita vai ter em conta todos os critérios que são mencionados no tratado [de Lisboa], para se assegurar que as pessoas que vão integrar a equipa dela estão à altura das funções", disse esta quarta-feira a nova porta-voz da Comissão Europeia, Dana Spinat, especificando que "o tratado menciona questões relacionadas com a competência profissional, com a independência, bem como com a convicção europeia".

Na carta, fica explícito que Von der Leyen exige rapidez na resposta de Londres, pedindo a Boris Johnson para "dar uma resposta rapidamente e no período mais curto possível, uma vez que temos como objetivo a finalização da equipa do futuro colégio, a propósito do qual, esperamos que o Parlamento Europeu possa apresentar um voto, antes do fim de novembro".

(Des)equilíbrio de género

Na sua estreia enquanto porta-voz, Dana Spinat disse que na carta que seguiu para Londres, von der Leyen "convida o senhor Johnson a propor o nome de um candidato britânico ou de vários candidatos britânicos", encorajando-o "a propor candidatas mulheres", tendo em conta o objetivo de ter uma Comissão partidária, com igual número de "homens e mulheres".

Porém, o equilíbrio entre homens e mulheres está cada vez mais frágil, agora que duas das candidatas rejeitadas, na sequência das suas audições no Parlamento deverão ser substituídas por homens. O ponto de partida era 13 mulheres e 14 homens. Porém, após o chumbo da candidata francesa, no Parlamento Europeu, o presidente francês apresentou um antigo ministro da Economia, Thierry Breton - um homem - como candidato a comissário.

No caso da Roménia, "a presidente está em contacto próximo com as autoridades", ou seja, está em conversações com o novo governo, que entrou em funções desde segunda-feira, "sobre a designação de um candidato, para o cargo de comissário europeu", revelou esta quarta-feira a porta-voz, tendo dado conta que "a carta a anunciar o candidato", ainda não tinha chegado a Bruxelas. E, por essa razão, oficialmente, não está confirmada a intenção do governo, em relação à paridade.

Tudo indica, no entanto, que ex-candidata Rovana Plumb - chumbada na comissão de Justiça - será substituída por um homem. Ontem, o Partido Nacional Liberal da Roménia anunciou que o eurodeputado e vice-presidente do Partido Popular Europeu, Siegfried Muresan será o futuro comissário romeno.

Com 11 mulheres e 16 homens, "esta comissão terá, sem dúvida, o maior número de mulheres até agora", como a porta-voz fez questão de destacar, considerando até que se trata de "uma coisa muito importante". Mas, o equilíbrio de género é "um objetivo" que não terá sido alcançado.

"As nomeações ainda não estão fechadas. Por isso, esperamos ainda a nomeação de candidatos da parte dos governos do Reino Unido e da Roménia. E, nós exortamo-los a nomearem candidatas mulheres", disse Dana Spinat, acrescentando que ainda se debate pelo "objetivo".

"Exortámos cada um dos governos e continuaremos a exortar cada um dos governos que ainda têm de propor candidatos, de também proporem mulheres. Isso foi a nossa posição e isso continua a ser a nossa posição, em relação a todos os governos com os quais devemos completar as nossas discussões para a finalização da equipa do colégio", afirmou.