Von der Leyen oferece "maneira própria" da UE para promover o diálogo no Médio Oriente

A presidente da Comissão Europeia apelou esta quarta-feira à contenção no Médio Oriente, considerando que a situação atual tem consequências muito para lá da região.

Numa declaração aos jornalistas, no final da primeira reunião do colégio de comissários de 2020, Ursula von der Leyen expressou a convicção de que a onda de tensão entre os Estados Unidos e o Irão afeta não só o Médio Oriente mas também a Europa e o mundo, considerando por isso importante que a União Europeia promova, "à sua maneira" o diálogo na região.

"A União Europeia - de uma maneira própria - tem muito a oferecer. Estabelecemos e testámos as relações com muitos atores da região e de outros países para serenar a situação", assegurou a presidente da Comissão Europeia. No final da reunião do colégio de comissários, na qual o alto representante para a política externa, Josep Borrell expressou preocupação face à situação atual no Médio Oriente.

"Os recentes desenvolvimentos no Irão e no Iraque e em toda a região são extremamente preocupantes. A situação atual põe em risco os esforços dos últimos anos e também tem implicações no importante trabalho da coligação contra o Daesh", admitiu Borrel, que tem convocada uma reunião com o ministros europeus dos Negócios Estrangeiros para a próxima sexta-feira, dia 10.

O chefe da diplomacia europeia aguarda ainda a resposta do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, a quem Borrel dirigiu um convite para estar presente na reunião, com os seus homólogos europeus, em Bruxelas.

No encontro em que será abordada, "basicamente, toda a situação na região", confirmou o porta-voz de Josep Borrell, referindo-se ao assassinato do general Soleimani, mas também o dossier nuclear e o anúncio de Teerão para restaurar o programa de enriquecimento de urânio.

Borrell expressou ainda que "o último ataque com foguetes contra bases aéreas no Iraque, usadas pelos EUA e pelas forças da coalizão, é outro exemplo de escalada e aumento de confrontos", considerando que "não é do interesse de ninguém aumentar ainda mais a espiral da violência".

A Comissão vai agora analisar as possíveis implicações da onda de tensão no Médio Oriente na perspetiva dos interesses europeus, "por exemplo, nas áreas dos transportes e energia, na [política de] vizinhança e migrações, mas também no desenvolvimento económico da estabilização e da reconstrução", adiantou a Von der Leyen, tendo também apelado à contenção.

"A crise atual afeta profundamente não apenas a região, mas todos nós"

"A crise atual afeta profundamente não apenas a região, mas todos nós. E o uso de armas deve parar agora para dar espaço ao diálogo. Todos somos chamados a fazer todo o possível para reavivar as conversas. E nunca será de mais", afirmou.

A presidente expressou ainda "as mais profundas condolências, para todos os que perderam os seus entes queridos, no acidente do avião ucraniano, esta manhã [em Teerão]". "Neste momento, cabe aos especialistas em segurança aeronáutica investigar as causas do acidente, fornecendo as respostas a esta tragédia horrível", defendeu.

Ursula von der Leyen segue esta tarde para Londres, onde se encontrará com primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. O encontro, que contará com a presença do negociador chefe da União Europeia, Michel Barnier, estava agendado para tratar de assuntos relacionados com o Brexit, mas "a situação no Médio Oriente" é agora o tema central.

Na sexta-feira, naquela que foi a primeira reação institucional ao ataque por um drone dos Estados Unidos, que vitimou o general iraniano Soleimani, o presidente do Conselho Europeu defendeu que que "a todo o custo", deve ser evitada uma escalada adicional do conflito. Charles Michel salienta que "o Iraque continua a ser um país muito frágil", em que reinam as "armas e as milícias", atrasando o processo de "retorno dos iranianos à vida normalizada".

Charles Michel salienta que "o Iraque continua a ser um país muito frágil", em que reinam as "armas e as milícias"

Em jeito de alerta, o presidente do Conselho Europeu afirmou que "o risco de um surto generalizado de violência em toda a região" existe, e o "surgimento de forças obscuras do terrorismo que prosperam em momentos de tensões religiosas e nacionalistas", não deve ser descurado.

Também na sexta-feira, a antiga titular da pasta, a italiana Federica Mogherini veio a terreiro alertar para "a escalada extremamente perigosa no Médio Oriente".

"Espero que aqueles que ainda acreditam em sabedoria e racionalidade prevaleçam, que algumas das conquistas diplomáticas do passado sejam preservadas e que um confronto em grande escala seja evitado", vincou a antiga chefe da diplomacia europeia.

Ursula von der Leyen reagiu no início da semana, considerando "importante interromper o ciclo de violência, para que uma ação não dê origem à próxima. Em vez disso, deve novamente ser criado espaço para a diplomacia".

"A Europa tem uma responsabilidade especial aqui. À medida que as tensões aumentam, a Europa está a conversar com todos os envolvidos", tinha afirmado Von der Leyen.

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