Vitória da oposição não significa declarar a independência de Taiwan

PDP, que defende identidade própria para Taiwan, é dado como vencedor das eleições gerais na ilha

As presidenciais de 16 de janeiro em Taiwan serão muito provavelmente ganhas por uma mulher - uma novidade absoluta - em representação do Partido Democrático Progressista (PDP, na oposição), que advoga a independência da ilha. Mas a vitória da candidata do PDP, Tsai Ing-wen, face ao candidato do Partido Nacionalista Chinês (Kuomintang, KMT) e seu líder, Eric Chu, "não significa uma aposta na declaração da independência", considera Raquel Vaz Pinto, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) da Universidade Nova. O que irá verificar-se, pensa a investigadora, "será a crescente taiwanização da sociedade", isto é, a aposta na afirmação de uma identidade distinta da ilha face à China continental. Um processo apoiado nas gerações mais novas "que têm uma atitude mais distendida e ausência de memória histórica" da China continental.

Enquanto Pequim e o KMT defendem o princípio de "uma China" (com interpretações diferentes), o PDP sustenta que pode existir mais do que um Estado chinês. Isto implicará "uma maior autonomia da política externa", minimizando, por exemplo, o alcance do encontro histórico dos presidentes de Taiwan e da República Popular da China (RPC), respetivamente Ma Ying-jeou e Xi Jinping, no início de novembro em Singapura. Segundo as sondagens, o PDP não só ganhará a presidência como as legislativas que se realizam em simultâneo. No entanto, Tsai Ing-wen, afirmando sempre a identidade específica de Taiwan face à RPC, que é também "uma questão de identidade do próprio PDP", afirma a investigadora do IPRI, "tem-se mostrado cautelosa na sua formulação" e tem evitado declarações contundentes como sucedeu quando o PDP deteve pela primeira e única vez a presidência com Chen Shui-bian, entre 2000 e 2008. A vitória do PDP em toda a linha poderá pôr em causa a aproximação cautelosa com a RPC desenvolvida pelo KMT, principalmente na última década, o que irá refletir-se nas relações económicas. Números de 2014 mostram que a RPC é o principal parceiro de Taiwan, que envia para a China continental 40% do total das exportações. Um facto que pode virar-se contra a RPC, diz Raquel Vaz Pinto. "Porque da interdependência se está a passar para uma situação de dependência", o que "está a originar uma reação crescentemente negativa pela posição dominante" da RPC na economia de Taiwan.

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