Moçambique atingido por segundo ciclone. Este é o maior de sempre.

Depois do Idai chega o Kenneth que atingiu durante a manhã a província de Cabo Delgado com ventos de mais de 225 km por hora e a ameaça de chuva intensa por vários dias. Especialistas voltam a falar dos efeitos da mudança do clima. (Texto atualizado esta sexta-feira, 26, às 06.25)

O furacão Kenneth entrou em Moçambique pela costa norte. Segundo relatos à agência Lusa, o vento e a chuva estavam a provocar uma "situação caótica", disse morador na vila de Macomia, sede de distrito no caminho previsto do ciclone Kenneth pela província de Cabo Delgado. Estando a energia cortada era difícil obter mais informações durante a noite.

Há pelo menos um morto na cidade de Pemba, Norte do país, que morreu durante a noite devido à queda de um coqueiro tombado pela tempestade, disse à Lusa fonte da proteção civil local.

Desta vez, as autoridades agiram com mais força, e segundo o Instituto Nacional de Gestão de Crises, mais de 30 mil pessoas foram retiradas das áreas que se prevê sejam atingidas. Prevê-se que este ciclone atinja uma área com mais de 600 mil pessoas.

Desde ontem à noite que não há energia e os moradores ficaram fechados em casa. Antes do anoitecer já havia árvores caídas e estragos em alguns edifícios públicos e em casas de construção precária, em que as chapas de zinco são habitualmente os primeiros pedaços a voar durante intempéries.

Não há relatos de dois furacões de tamanha intensidade atingirem esta região, segundo os serviços meteorológicos da BBC. 2019 fica na história como o primeiro em que o país foi atingido por dois ciclones de categoria dois ou superior na mesma época chuvosa - depois de o Idai ter atingido o território em março classificado com categoria três. O Kenneth atingiu, ontem, a categoria quatro.

"Nunca nada disto aconteceu nesta região, e raramente acontece no mundo, um ciclone desta força a atuar durante estes dias todos. Podemos ligar este ciclone à mudança do clima. Não só a chuva está mais intensa como cai em menos tempo, e porque atinge temperaturas mais altas na atmosfera, não diminui", disse ao jornal The Guardian o meteorologista Eric Holthaus.

Prevê-se que a intempérie diminua de intensidade no continente, logo depois de deixar de ser alimentada pelas águas quentes do oceano Índico, mas que, ainda assim, produza elevada precipitação, suficiente para causar cheias repentinas que podem ser violentas nalguns locais.

As autoridades moçambicanas anunciaram ter evacuado as zonas de risco de cheias desde a ativação do alerta vermelho, na quarta-feira, transferindo cerca de 30 mil pessoas para mais de 30 centros de acolhimento, a maioria instalados em escolas.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, citado no site Notícias de Moçambique, terá recorrido a métodos compulsivos para transferir parte dos milhares de pessoas que viviam em áreas em risco.

De acordo com o mesmo jornal, dos perto de 30 mil cidadãos retirados das zonas de risco, cerca de 25 mil são do distrito de Palma, cujo administrador, Valgy Tauabo, assegurou ao Notícias que a maior parte dos residentes da zona baixa aceitou abandonar voluntariamente a área.

Por seu turno, o secretário permanente de Macomia, Adelino Cavava, disse que o edifício dos Correios de Moçambique, cinco casas e uma mesquita foram destruídos pelos ventos fortes que sopraram durante o dia, acompanhados de chuvas intensas.

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