Guardas detidos por não terem prendido Guaidó

Detenções foram anunciadas pela oposição venezuelana. Autoproclamado presidente interino anunciou ainda uma greve geral da Função Pública

Vários funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), que na segunda-feira estavam de serviço no Aeroporto de Maiquetía, foram detidos por não terem executado a ordem de detenção do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

As detenções foram denunciadas esta terça-feira pela oposição venezuelana, precisando que os oficiais da GNB foram levados para o Forte de Tiúna, a principal base militar de Caracas e alertando que vigora uma ordem de detenção contra Juan Guaidó.

"A GNB no aeroporto não executou a ordem de deter Juan Guaidó. Os funcionários foram levados ao Forte de Tiúna. A ordem de captura está em vigor. Alerta Venezuela, alerta governantes do mundo", anunciou o deputado opositor José Luís Pirela na sua conta do Twitter.

Pirela, que faz parte da Comissão Permanente de Política Interior do parlamento venezuelano explicou ainda, numa outra mensagem, que "os funcionários da GNB em serviço ontem [segunda-feira] no aeroporto recusaram-se a deter Juan Guaidó".

O deputado não precisou quantos oficiais da GNB foram detidos.

O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, chegou na segunda-feira à tarde ao aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía (norte de Caracas), onde foi recebido por uma multidão composta por apoiantes e embaixadores de vários países europeus e latino-americanos, segundo imagens transmitidas em direto na televisão.

Entre os embaixadores europeus estava o de Portugal, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro, confirmaram fontes diplomáticas à agência Lusa.

Reunião com funcionários públicos e anúncio de greve

Juan Guaidó esta terça-feira que os trabalhadores da administração pública venezuelana vão realizar uma greve contra o Presidente Nicolás Maduro e para reivindicar vários direitos.

"Vamos a uma greve escalada [que vai subindo de intensidade] na administração pública, uma decisão proposta pelos próprios trabalhadores que não querem cooperar com o regime", disse.

Juan Guaidó falava aos jornalistas, em Caracas, após reunir-se com membros de vários sindicatos venezuelanos e representantes dos funcionários públicos.

"O momento é agora. O momento chegou. Apoiamos os funcionários públicos para tornar efetiva essa greve, essa paragem, e que nunca mais utilizem a nossa burocracia para oprimir o povo", disse.

Juan Guaidó não anunciou a data em que começará a "greve escalada", precisando, no entanto, que vão fazer um registo "dos trabalhadores despedidos por razões políticas".

"Amanhã [quarta-feira], o parlamento iniciará reuniões com todos os trabalhadores do setor público. Todos esses despedimentos e toda essa perseguição política contra os trabalhadores fica automaticamente sem efeito, porque toda a autoridade usurpada é nula", disse.

Por outro lado, explicou que apresentará, no parlamento, um projeto de lei que dê garantias aos funcionários públicos para que "não se vejam obrigados a cooperar, nunca mais, com a ditadura".

"O jogo mudou na Venezuela. Estamos a ouvir atentamente os nossos trabalhadores, respeitando os direitos sindicais e tabelas salariais (...) vamos trabalhar pelos contratos coletivos e tabelas salariais justas, por sindicatos livres e autónomos", afirmou.

Segundo Guaidó, os "direitos fundamentais" devem ser respeitados porque não são uma coisa "de esquerdas ou de direitas".

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