Utilizadores russos do Reddit terão sido responsáveis pela divulgação de documentos sobre Brexit

Em comunicado, a rede social diz acreditar que os documentos foram divulgados como "parte de uma campanha que foi descrita como tendo tido origem na Rússia".

A rede social Reddit anunciou ter concluído que utilizadores russos estiveram na origem da divulgação de documentos confidenciais do governo britânico sobre as negociações comerciais do Brexit. O Reddit anunciou, num comunicado citado pela Associated Press, que baniu um 'subreddit' e 61 contas, suspeitas de violação das políticas da rede contra a manipulação de votos.

A empresa esclareceu que as contas suspeitas partilhavam o mesmo padrão de atividades de uma campanha russa naquela plataforma, batizada "Secondary Infektion", que foi descoberta no início deste ano. O Reddit decidiu investigar depois de os documentos terem sido tornados públicos durante a campanha das eleições legislativas da próxima quinta-feira no Reino Unido.

A rede social acredita que os documentos foram divulgados como "parte de uma campanha que foi descrita como tendo tido origem na Rússia". "Conseguimos confirmar que [as duas campanhas] mostravam de facto um padrão de coordenação", refere a Reddit no comunicado. O governo britânico não contestou a autenticidade dos documentos.

O principal partido da oposição do Reino Unido defendeu que os documentos provam que Partido Conservador, do primeiro-ministro Boris Johnson, está a tentar chegar a um acordo com os Estados Unidos para depois do Brexit, que aumentaria o custo dos medicamentos e colocaria em risco o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês).

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, afirmou que as 451 páginas de documentos, que abrangem seis rondas de conversações preliminares entre negociadores dos Estados Unidos e do Reino Unido, provam que Boris Johnson estava a planear colocar o SNS "à venda" nas negociações comerciais.

Boris Johnson, que não era primeiro-ministro na maior parte do período de dois anos em que as negociações aconteceram, rejeitou a acusação de Jeremy Corbyn.

O Reino Unido deverá abandonar a União Europeia em 31 de janeiro de 2020. As eleições de quinta-feira foram antecipadas para tentar romper o impasse político relativo ao Brexit, determinado num referendo em 2016, quando 52% dos eleitores britânicos votaram a favor da saída da UE.

Sondagens, analistas e casas de apostas preveem uma vitória confortável do Partido Conservador de Boris Johnson nas eleições, mas a falta de uma maioria absoluta pode influenciar o futuro do Brexit.

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