Angola: MPLA anuncia vitória por maioria qualificada. UNITA contesta

Anúncio é feito numa altura em que estão cinco milhões de votos escrutinados em todo o país

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) anunciou hoje que, com cinco milhões de votos escrutinados em todo o país, tem a "maioria qualificada assegurada" e a eleição de João Lourenço para Presidente da República.

A informação foi transmitida hoje, cerca das 11:50, na sede nacional do MPLA, em Luanda, pelo secretário do Bureau Político, para as questões políticas e eleitorais, João Martins, em declarações aos jornalistas.

"Temos vindo a fazer a compilação dos dados que os nossos delegados de lista nos têm remetido, das atas síntese que obtiveram das assembleias de voto a nível de todo o país. E, numa altura em que temos escrutinado acima de cinco milhões de eleitores, o MPLA pode garantir que tem a maioria qualificada assegurada", disse.

"Por isso, é com tranquilidade que podemos assegurar que o futuro Presidente da República será o camarada João Manuel Gonçalves Lourenço e o futuro vice-Presidente da República será o camarada Bornito de Sousa Baltazar Diogo", disse o mesmo responsável do partido.

Este anúncio é feito numa altura em que decorre o escrutínio das 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto, e quando a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), no seu último pronunciamento, durante a madrugada, não avançou resultados provisórios nem prazos para o efeito.

O vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, contestou o anúncio de vitória do MPLA nas eleições gerais angolanas, exortando a Comissão Nacional Eleitoral "a ter a coragem de divulgar os resultados provisórios reais" que vão chegando aos partidos.

"Não sei de onde o MPLA está a tirar este resultado. Nós estamos a falar daquele que é o resultado real, e que estamos à espera que a CNE tenha coragem de divulgar. Não sabemos porque não o fez até agora", disse à agência Lusa Raúl Danda.

A UNITA diz que os resultados que lhe estão a chegar contradizem o anúncio da MPLA.

"O resultado que nos está a chegar das mesas e das atas-síntese das assembleias de voto, que devem estar afixadas, contradizem completamente isso que o MPLA está a tentar dizer", sublinhou o vice-presidente da formação do galo negro, Raúl Danda.

"Não é só o MPLA que está a fazer contagem. A UNITA também se preparou para fazer contagem e estamos a fazê-lo com base nas atas, nas contagens feitas nas assembleias de voto", salientou.

De acordo com a contagem paralela e provisória do principal partido da oposição, o MPLA está neste momento com uma votação pouco acima dos 40%, seguido da UNITA com mais de 30%, disse Raúl Danda.

"E ainda estão por processar resultados de áreas afetas à UNITA. Só aqui em Luanda, estamos a falar do Cacuaco e Viana, que têm bastante expressão no voto daqui da capital. À medida que os votos vão sendo contados, a tendência é o MPLA ir baixando e a UNITA ir subindo. Esta é que é a realidade do que está a acontecer no país", salientou.

Na sede do MPLA, no centro de Luanda, está reunido desde quarta-feira à noite o chamado "estado maior" da campanha eleitoral do partido que governa Angola desde 1975, tendo João Martins reconhecido a necessidade de passar uma mensagem de tranquilidade aos apoiantes.

"Nós constatamos essa necessidade. É por demais a pressão, quer da comunicação social, quer da nossa massa militante, de todos os que apostaram no nosso projeto, na proposta do MPLA, no nosso candidato, e tínhamos necessidade de os tranquilizar de que o MPLA tem assegurada a maioria qualificada", assegurou, recordando que os "dados oficiais serão aqueles que serão publicados pela CNE, quando anunciar os resultados definitivos" das eleições.

Mais de 9,3 milhões de angolanos estavam inscritos para escolherem quarta-feira, entre seis candidatos, o sucessor de José Eduardo dos Santos - que não integrou qualquer lista candidata -, com a votação a decorrer até às 18:00.

Esta votação envolve a eleição direta do parlamento (220 deputados) e indireta do Presidente da República, que será o cabeça-de-lista do partido mais votado.

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