Papa: Migrantes sofrem "indizíveis formas de abuso, escravidões e tortura"

Na tradicional mensagem de Natal ao mundo, o Sumo Pontífice apelou à convivência pacífica no Médio Oriente e pediu esperança para o continente americano. E voltou a dedicar parte do discurso aos migrantes.

O Papa Francisco apelou, na manhã desta quarta-feira, a uma "convivência pacífica" no Médio Oriente, evocando os vários conflitos que assolam a região, da guerra "sem fim à vista" na Síria ao conflito no Iémen e à crise no Líbano, deixando ainda uma referência ao Iraque. Pediu também esperança "para todo o continente americano, onde várias nações estão a passar por um período de agitação social e política", enunciando em particular o "povo venezuelano há muito afetado por tensões" políticas e sociais.

Falando a partir da varanda da basílica de São Pedro, no Vaticano, na tradicional mensagem Urbi et OrbiP, o Papa exortou o mundo a deixar-se iluminar pelo Natal contra a "escuridão dos corações humanos" que leva às perseguições religiosas, aos conflitos armados, à injustiça social e ao medo dos migrantes - que voltaram a ter um lugar de destaque na mensagem do Sumo Pontífice.

"É a injustiça que os faz atravessar desertos e mares que se transformam em cemitérios. É a injustiça que os força a suportar indizíveis formas de abuso, escravidões e tortura em campos de detenção desumanos", sublinhou o Papa, defendendo que estas pessoas se confrontam ainda com "muros de indiferença" quando apenas procuram uma vida com dignidade.

Francisco defendeu que não é preciso procurar longe para corrigir injustiças, que cada um pode fazer a diferença nas suas comunidades, um começo para curar "todos os que sofrem na nossa família humana".

A reforçar a mensagem, o Papa esteve ladeado por dois cardeais ligados à imigração e à pobreza - Renato Martino, presidente emérito do gabinete de imigração do Vaticano, e Konrad Krajewski, encarregue de distribuir ajuda aos pobres e sem abrigo de Roma.

"Há escuridão nos corações humanos, mas a luz de Cristo é maior. Há escuridão nas relações pessoais, familiares e sociais, mas a luz de Cristo é maior. Há escuridão nos conflitos económicos, geopolíticos e ecológicos, mas a luz de Cristo é maior", disse o Papa, naquela que é sua sétima mensagem Urbi et Orbi.

Na mensagem, o Papa aponta também as ações "de grupos extremistas" em África, especialmente no Burkina Faso, Mali, Níger e Nigéria, expressando o seu consolo "a todos os que são perseguidos por causa da sua fé religiosa, especialmente os missionários e os fiéis sequestrados".

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