Turquia promete guerra ao terror após quarto atentado em 3 meses

Bombista fez-se explodir na Istiklal matando quatro pessoas - três israelitas e um iraniano - numa das ruas mais turísticas da cidade. Há um português entre os 36 feridos.

"É melhor não nos encontrarmos na rua", dizia-se ontem em Istambul nas horas que se seguiram a um novo atentado - o quarto na Turquia desde o início do ano - que fez quatro morto e feriu 36 pessoas (uma delas um português). O clima de instabilidade no país talvez explique porque o bombista suicida que se fez explodir às 11:00 não tenha feito mais vítimas em plena Istiklal, uma das ruas mais famosas de Istambul, conhecida pelo comércio e ponto de atração para muitos turistas.

Ao final da tarde, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, classificou este novo atentado de "desumano". E prometeu que a Turquia vai continuar a lutar contra "os centros do terrorismo". O país enfrenta de facto várias ameaças, agravadas nos últimos meses por uma espécie de contágio da guerra na vizinha Síria. Os últimos atentados foram reivindicados tanto por militantes curdos como pelo Estado Islâmico (EI), o grupo terrorista que domina um vasto território na Síria e Iraque.

A explosão de ontem causou o pânico no centro de Istambul, com os comerciantes a correrem à procura de abrigo nas ruelas circundantes à avenida pedonal onde ficam inúmeras lojas, mas também consulados estrangeiros. "Ninguém sabia o que estava a acontecer. Foi caótico. Estava toda a gente a gritar e a fugir", contou à BBC Uwes Shehadeh, que se encontrava a 500 metros da explosão. A Alemanha já na quinta-feira encerrara a sua representação na Istiklal devido a uma "ameaça específica". Os EUA, como vários países europeus, alertaram os seus cidadãos para ficarem atentados à medida que se aproximava a celebração do Newroz, um festival da primavera que os curdos assinalam este fim de semana e que já no passado acabou em violência.

Ao final do dia, o atentado de ontem ainda não fora reivindicado, com as autoridades turcas a apostarem no Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que luta pela autonomia no sudeste da Turquia, ou nos jihadista do EI. O primeiro reivindicou dois ataques que fizeram 66 mortos em Ancara em fevereiro. Os segundos assumiram responsabilidade pelo atentado suicida que matou 12 turistas alemães em janeiro em Istambul.

Tradicionalmente, os militantes curdos não atingiam civis, centrando os ataques em alvos militares ou governamentais. Mas tal tem vindo a mudar, depois de um cessar-fogo com mais de dois anos ter chegado ao fim no verão passado. Desde então, já foram mortos mais de 340 membros das forças de segurança turcas, bem como 300 combatentes curdos e duas centenas de civis.

Segundo um responsável turco ouvido pela AFP, ontem o suicida tentava atingir uma multidão maior, mas terá acabado por detonar os explosivos que carregava depois de ter sido intercetado por um polícia. Na explosão morreram três israelitas e um iraniano. Entre os 36 feridos, 11 eram também de nacionalidade israelita. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse mais tarde ter "informações" que indicam que "o ataque foi feito por um militante do EI".

Um cidadão português sofreu ferimentos ligeiros provocados por estilhaços. Segundo o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, o homem estava na Turquia a trabalhar numa empresa portuguesa. No site da presidência, Marcelo Rebelo de Sousa condenou um ataque "hediondo" e defendeu que o combate ao terrorismo deve ser "uma missão de todos".

Condenação global

União Europeia, EUA e NATO, todos condenaram o atentado de ontem em Istambul. "Estendemos as nossas mais profundas condolências às famílias e amigos dos mortos e esperamos a rápida recuperação dos feridos", lê-se num comunicado do Serviço Europeu de Ação Externa.

"Não pode haver justificação para o terrorismo. Os aliados da NATO estão com a Turquia, unidos na determinação de lutar contra o terrorismo em todas as suas formas", afirmou o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em comunicado. A Turquia faz parte da coligação internacional que está a combater o Estado Islâmico na Síria, onde tem também bombardeado posições do PKK.

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