Trump saúda gesto de boa vontade de Kim antes de reunião a dois

Pyongyang espera alguma reciprocidade e fim das "políticas hostis" dos EUA após libertação de três norte-americanos

Os três norte-americanos que estavam detidos na Coreia do Norte, um deles há mais de dois anos, regressam hoje aos EUA, devendo ser recebidos na base aérea de Andrews pelo próprio presidente Donald Trump. A Casa Branca congratulou-se com o "gesto de boa vontade" do líder norte-coreano, Kim Jong-un, que depois de suspender os lançamentos de mísseis e fechar o local de testes nucleares, levanta assim outro obstáculo à cimeira bilateral entre ambos. Mas Pyongyang também avisa que a desnuclearização só será possível se EUA acabarem com as "políticas hostis".

"Tenho o prazer de informar-vos que o secretário de Estado Mike Pompeo está no ar e no regresso da Coreia do Norte com os três senhores maravilhosos que toda a gente está desejosa de conhecer. Parecem estar de boa saúde", escreveu Trump no Twitter. No voo de regresso, o chefe da diplomacia norte-americana recusou revelar a data e o local do encontro previsto entre o presidente e o líder norte-coreano, mas disse que "ambas as partes estão confiantes de que vamos ter as condições para uma reunião de sucesso entre os dois líderes". A bordo seguiam também os três norte-americanos que estiveram até ontem detidos nas prisões norte-coreanas.

"Agradeço ao Kim Jong-un ter feito isto e permitido que saíssem", afirmou Trump aos jornalistas na Casa Branca, agradecendo também ao presidente chinês, Xi Jinping, dizendo que Beijing foi "útil" para garantir a libertação dos três norte-americanos de origem coreana.

A libertação de Kim Sang-duk, Kim Hak Song e Kim Dong Chul surge após um encontro de 90 minutos entre Pompeo e Kim Jong-un. No regresso ao hotel de Pyongyang, o secretário de Estado cruzou os dedos quando os jornalistas lhe perguntaram se tinha boas notícias sobre os prisioneiros. Pouco depois, um oficial norte-coreano foi informar que Kim os tinha amnistiado. "Deve garantir que eles não voltam a cometer os mesmos erros", disse, segundo indicou um membro da delegação dos EUA à Reuters. "Esta foi uma decisão difícil." Menos de uma hora depois, estavam a bordo do avião a caminho de casa, tendo subido a bordo pelo próprio pé.

Até agora, o único outro prisioneiro libertado por Pyongyang durante o mandato de Trump tinha sido Otto Warmbier, um estudante universitário de 22 anos que regressou aos EUA em coma, após 17 meses detido por ter roubado um cartaz de propaganda, acabando por morrer poucos dias depois.

Antes de se reunir com Kim, Pompeo almoçou com oficiais norte-coreanos. "Durante décadas, fomos adversários. Agora, estamos esperançosos de poder trabalhar juntos para resolver este conflito, retirar as ameaças ao mundo e garantir que o vosso país tem todas as oportunidades que o vosso povo tão ricamente merece", disse durante o brinde no almoço de peixe e pato que lhe foi oferecido no 39.º andar do hotel Koryo.

O principal interlocutor do chefe da diplomacia norte-americano tem sido o líder dos serviços secretos e número dois do partido, Kim Yong-chol. "É nossa política concentrar todos os esforços no progresso económico do nosso país", disse durante o almoço, segundo o The New York Times. "Espero que os EUA também fiquem felizes com o nosso sucesso. Tenho grandes expectativas de que os EUA vão desempenhar um grande papel no estabelecimento da paz na Península Coreana", acrescentou.

De acordo a mesma fonte, o oficial norte-coreano lembrou também que a decisão de Pyongyang de negociar com Washington "não é resultado das sanções" impostas ou das táticas de "pressão máxima" de Trump. E reiterou que a Coreia do Norte disse estar disponível para desnuclearizar só se os EUA acabarem com as "políticas hostis" e garantirem a sua segurança. E avisou contra o risco de "palavras e atos que podem destruir o arduamente conquistado clima de diálogo".

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