Trump processa Deutsche Bank para impedir divulgação das suas contas

Banco alemão tinha começado o processo de ceder à Câmara dos Representantes os documentos relacionados com os empréstimos a Trump e aos seus negócios. Banco norte-americano Capital One também é alvo

O presidente norte-americano e a sua família, filhos e a mulher instauraram uma ação judicial contra o Deutsche Bank e o Capital One para impedir que entreguem dados sobre as suas contas bancárias ao Congresso. É a segunda tentativa no tribunal que Donald Trump fez este mês, com o objetivo de travar a Câmara dos Representantes, liderada pelos democratas, e evitar que esta investigue a sua história financeira.

De acordo com a CNN, o banco alemão estava a preparar-se para cumprir uma intimação da Procuradora-Geral de Nova Iorque, Letitia James, para mostrar documentos relacionados com empréstimos feitos a Trump e às suas empresas.

O Deutsche Bank terá emprestado recentemente 340 milhões de euros ao presidente norte-americano. Segundo o The New York Times, desde 1998 que este banco emprestou ou participou em créditos a Trump e às suas empresas num total de mais de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2.180 milhões de euros), fazendo desta instituição o principal credor do presidente norte-americano.

Em comunicado, o Deutsche declarou que cumprirá todas as intimações e ordens judiciais. "Continuamos comprometidos em fornecer informações apropriadas a todas as investigações autorizadas e obedeceremos a uma ordem judicial relativa a tais investigações", diz a declaração.

Juntamente com o Capital One, ambos os bancos "há muito tempo fornecem serviços bancários de negócios e pessoais aos demandantes", disseram os advogados de Trump.

Segundo a equipa de defesa do presidente dos EUA, os presidentes dos comités de Inteligência e Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes - os deputados Adam Schiff e Maxine Waters, ambos democratas da Califórnia - confirmaram que os dois bancos receberam intimações para revelarem dados relacionados com as finanças de Trump, mas recusaram-se a fornecer cópias das intimações.

"As intimações foram emitidas para perseguir o presidente Donald J. Trump, vasculhar todos os aspetos de suas finanças pessoais, seus negócios e as informações pessoais do presidente e da sua família, e investigar sobre qualquer material que possa ser usado para lhe causar dano político. Não existem fundamentos para estabelecer qualquer propósito que não seja político", escreveram os advogados na queixa apresentada esta segunda-feira.

O comunicado da defesa alega que "as intimações enviadas ao Deutsche Bank e à Capital One pelos presidentes Schiff e Waters são ilegais e ilegítimas" porque são requeridas "informações que remontam a décadas, de qualquer pessoa com uma conexão tangencial com o Presidente, incluindo crianças, menores e cônjuges". "Todos os cidadãos devem se preocupar com essa invasão violenta e sem lei da privacidade", é sublinhado.

Na semana passada Trump também tinha avançado com outra ação judicial, mas diferente da desta semana. Foi um processo, instaurado em Washington, contra a firma de contabilidade Mazars USA e o House Oversight Committee, também para tentar impedir a Câmara de obter os registos financeiros do presidente dos EUA.

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