Trump ordena corte de pessoal no Conselho de Segurança Nacional

Órgão coordenador da polícia externa dos EUA na Casa Branca já teve quatro responsáveis desde que Donald Trump assumiu há quase três anos a presidência.

O presidente dos EUA ordenou uma "redução substancial" do pessoal que trabalha no Conselho de Segurança Nacional (NSC), após a divulgação de informação confidencial que originou a abertura de um inquérito para a destituição de Donald Trump, noticiou este sábado a agência Bloomberg.

Algumas das fontes citadas pela agência, sob anonimato, indicaram que o corte de pessoal visa retirar força a esse órgão na política externa da Casa Branca, depois da recente demissão de John Bolton como responsável do NSC e a sua substituição por Robert O'Brien.

A Bloomberg assegurou que tanto O'Brien como o chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, já transmitiram a ordem para reduzir a equipa do NSC, que aumentou de tamanho durante o governo de Barack Obama e integra atualmente 310 pessoas.

Esta ordem segue-se à divulgação de informação confidencial que envolveu o NSC, causando um terramoto político em Washington com o início de um processo político de destituição contra Donald Trump.

A informação de que Donald Trump pressionou Kiev para investigar o ex-vice-presidente e candidato democrata Joe Biden e o filho Hunter, por suposta corrupção na Ucrânia, veio de dentro da própria Casa Branca e por denúncia anónima de um elemento do NSC que o Ney York Times noticiou ser um analista da CIA.

O caso foi revelado publicamente quando o congressista democrata Adam Schift, enquanto líder do comité dos serviços secretos da Câmara dos Representantes, exigiu a entrega da queixa ao Congresso como determinado pela lei norte-americana.

Schift veio a público após ter recebido informação oficial do caso através do Inspetor-Geral do sistema de informações dos EUA - nomeado por Trump e que considerou a queixa urgente e credível.

Contudo, o diretor nacional interino das informações, Joseph Maguire, recusou transmitir a queixa ao Congresso depois de consultar a Casa Branca e o Departamento de Justiça, apesar de isso ser obrigatório por lei.

Na sexta-feira, Trump partilhou na rede social Twitter uma mensagem segundo a qual o agente que divulgou a mensagem trabalhou na Casa Branca para o NSC.

A Casa Branca tem um sistema de armazenamento no qual poucas pessoas do NSC têm acesso à informação classificada e aos arquivos das conversas de Trump com líderes estrangeiros, como a que manteve com o Presidente ucraniano, Vladimir Zelenski - e cuja transcrisção parcial, divulgada oficialmente pela Casa Branca, confirmou o teor da queixa apresentada pelo denunciante através dos canais hierárquicos.

A divulgação de informação abalou Washington, a um ano das eleições presidenciais, com o início de um processo político contra o Presidente - que já veio publicamente defender que a China investigue igualmente aquele que é visto como o seu principal adversário nas presidenciais de 2020.

Segundo diversos juristas e comentadores, incluindo republicanos, é crime pedir que um país estrangeiro interfira no processo eleitoral dos EUA - o que justificou o inquérito oficial ao papel da campanha de Trump (e mesmo deste) nas interferências da Rússia - confirmadas pelos serviços secretos norte-americanos - nas eleições de 2016.

A presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, ordenou na semana passada o início de uma investigação com o objetivo de levar ao plenário uma votação de "impeachment" para que o Senado possa discutir a destituição de Trump.

Donald Trump está a ser acusado pela maioria Democrata na Câmara de Representantes de ter pressionado o Presidente da Ucrânia para investigar a alegada corrupção na atividade do filho do ex-vice-presidente e atual candidato nas primárias Democratas, Joe Biden, com uma empresa ucraniana.

Mas essas alegações carecem de fundamento, como a própria imprensa norte-americana já noticiou e como revelou há dias um ex-conselheiro do próprio Donald Trump para a área da segurança interna, Tom Bossert.

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