Trump anuncia saída do secretário da Defesa em fevereiro

Anúncio da saída do general James Mattis foi feito pelas redes sociais e um dia após comunicar a saída imediata das tropas dos EUA presentes na Síria.

O presidente dos EUA recorreu às redes sociais para anunciar a cessação de funções do secretário de Estado da Defesa, o general Jim Mattis.

O general, na carta de despedida, assumiu algumas das divergências existentes entre ele e o presidente ao dizer que Trump tem "o direito de ter um secretário de Defesa cujas visões estão melhor alinhadas" com as suas no que respeita ao relacionamento com a Rússia ou a China.

Num momento em que aumenta a pressão judicial sobre a sua atuação na campanha presidencial e como ocupante da Casa Branca, assim como relativamente aos seus negócios imobiliários, Donald Trump anunciou a decisão de demitir aquele reputado general dos Marines um dia após tomar outra decisão polémica: a retirada imediata das tropas norte-americanas estacionadas na Síria, contra a posição do Pentágono.

Esta medida recebeu críticas quase generalizadas nos setores diplomático, militar e político dos EUA - incluindo por parte de apoiantes seus no Partido Republicano - e, segundo a imprensa norte-americana, contra a opinião dos seus principais conselheiros.

A ameaça terrorista do Estado Islâmico, que persiste em várias zonas da Síria, e o facto de a retirada dos norte-americanos abrir espaço ao reforço da presença da Rússia e do Irão - aliados do presidente sírio Bashar al-Assad - em pleno Médio Oriente estão na base das críticas à decisão de Trump.

Internacionalmente, além de voltar a surpreender os aliados - que lutaram ao lado dos EUA contra o Estado Islâmico - pela negativa, o grande aplauso à decisão de retirar os EUA da Síria veio do presidente russo, Vladimir Putin.

Este caso ofereceu um novo exemplo do que os críticos de Trump dizem ser a sua frequente incoerência: justificou a saída imediata da Síria porque o Estado Islâmico foi derrotado e a seguir afirmou que Rússia, Irão e Síria não iriam gostar porque iriam ficar a lutar contra o Estado Islâmico.

Naquilo que os media e comentadores norte-americanos qualificam como procedimento operacional padrão (linguagem castrense), Donald Trump volta a recorrer ao fator surpresa de anunciar decisões inesperadas e polémicas num momento de forte aperto político, mediático e judicial.

As relações entre James Mattis - antigo comandante operacional das forças da NATO na Europa - e Trump vinham a esfriar nos últimos meses, devido a múltiplas divergências entre ambos em matéria de política de Defesa ou quanto ao emprego das Forças Armadas no exterior e dentro do país.

Muitas das decisões de Donald Trump relativas ao Pentágono foram tomadas ou anunciadas sem conhecimento prévio - ou estudos - de Mattis e dos chefes militares dos EUA - em que um dos casos mais conhecidos foi o da proibição de admitir transexuais nas fileiras.

Internamente, Donald Trump reafirmou esta quinta-feira a sua oposição a um acordo que permita manter a Administração Pública a funcionar depois da meia-noite de sexta-feira pelo facto de não contemplar cinco mil milhões de dólares destinados à construção de um muro na fronteira com o México.

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