Trump ameaça travar dinheiro para palestinianos

A Palestina retirou-se das negociações na sequência da decisão de Trump, no final do ano passado, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou hoje parar de dar qualquer ajuda económica aos palestinianos caso estes continuem a recusar negociações de paz com Israel.

A ameaça do chefe de Estado norte-americano surgiu no Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça), após uma reunião com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sentado ao seu lado.

Os palestinianos retiraram-se das negociações na sequência da decisão de Trump, no final do ano passado, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. A Autoridade Palestiniana, bem como algumas nações árabes, consideraram na altura que os Estados Unidos já não podiam ser considerados um interlocutor imparcial no processo de paz.

Trump afirmou hoje que essa decisão dos palestinianos acarreta consequências. Os Estados Unidos, argumentou Trump, dão "centenas de milhões de dólares" aos palestinianos e "esse dinheiro está na mesa e não seguirá enquanto não se sentarem para negociar a paz".

O comentário do Presidente americano surgiu pouco depois de ter chegado ao Fórum Económico Mundial, em Davos, que reúne líderes mundiais e executivos de topo. Na cimeira, Trump vai apresentar a sua agenda económica, sob o lema "A América Primeiro", um conjunto de medidas de cariz considerado protecionista, e tentar atrair investimento estrangeiro para os Estados Unidos.

O Presidente norte-americano não foi claro quanto às quantias e dinheiro a que se referia na sua ameaça. Desde meados dos anos 1990, Washington já contribuiu com mais de cinco mil milhões de dólares em ajuda económica e para segurança dos palestinianos.

A ajuda económica anual tem atingido, em média, 400 milhões de dólares desde 2008, grande parte desse valor dedicado a projetos de desenvolvimento.

Na semana passada, a administração Trump iniciou o processo para reter parte - mas não todo - de um pagamento de ajuda económica destinado a uma agência das Nações Unidas que apoia refugiados palestinianos. O Governo de Trump disse que iria disponibilizar 60 milhões e reter outros 65 até que a entidade da ONU proceda a uma "reavaliação" total.

Na resposta às declarações de Trump, o embaixador palestiniano junto da ONU, Riyad Mansur, disse que a Palestina não se vergará "a ameaças, intimidação ou ações punitivas", continuando a manter a sua oposição à decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"Não se pode pôr um preço aos direitos e à dignidade de povo nenhum", defendeu o embaixador, num discurso perante o Conselho de Segurança.

Mansur não fez qualquer referência explícita às declarações de Trump, mas as suas declarações pareciam dirigidas aos comentários de hoje do Presidente norte-americano.

Em Davos, Trump também acusou os palestinianos de terem faltado ao respeito ao seu vice-Presidente, Mike Pence, ao recusarem recebê-lo durante o seu périplo pelo Médio Oriente.

"A nossa postura não pretende ser uma falta de respeito e não deveria ser interpretada dessa forma por ninguém", disse o diplomata.

Pelo contrário, contrapôs Mansur, trata-se de uma posição "baseada no pleno respeito" pela lei, pela justiça e pela igualdade.

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