Trump acolhido por abraço de Modi e multidão na chegada à Índia

Presidente norte-americano inicia visita de três dias ao país com um comício no maior estádio de críquete do mundo.

O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou esta segunda-feira à Índia para uma visita relâmpago que incluí um comício no maior estádio de críquete do mundo, mas não deverá culminar em realizações concretas.

As tensões comerciais têm vindo a crescer entre as duas maiores democracias do mundo numa altura em que a política de "América primeiro" embate com a do "Faça na Índia" do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Depois de o Air Force One ter aterrado em Ahmedabad, Trump foi recebido com por Modi na pista com um abraço. Dançarinos em trajes tradicionais aguardavam ao lado do tapete vermelho.

Os dois seguiram depois para o estádio, onde são esperados por cem mil pessoas. A multidão começou a fazer fila às 4.00 locais para entrar no estádio para o evento "Namaste Trump", a paga pelo evento "Howdy Modi" em Houston, no ano passado, ao qual assistiram 50 mil pessoas, quando Trump comparou o primeiro-ministro a Elvis Presley.

Pelo caminho, havia dezenas de milhares de pessoas, mas não os "seis a dez milhões" que Trump alegou que estariam.

Antes de ir ao estádio, Trump parou no Sabarmati Ashram, onde o líder da independência Mahatma Gandhi viveu durante 13 anos. O presidente e a primeira-dama, Melania Trump, experimentaram usar o charka, ou roda de fiar, que é usada para tecer. Gandhi popularizou o ato como uma forma de protesto contra os tecidos estrangeiros durante o movimento de independência da Índia.

Depois do comício, Trump e Melanis voam para o Taj Mahal para o pôr-do-sol, para mais uma fotografia. Partes do edifício receberam uma limpeza e foram feitos esforços para diminuir o cheiro nauseabundo do rio que passa ao lado. Já a caminho do estádio terá sido construído um muro que os locais explicaram ter como objetivo esconder um bairro de lata, enquanto cães de rua, vacas e macacos foram afastados do local.

Mas atrás de toda a pompa e aparente entusiasmo dos dois líderes, há problemas resultantes do protecionismo comercial de ambos os governos.

Trump apelidou a Índia de "rei das tarifas" e disse antes da visita que a terceira maior economia da Ásia tem atingido os EUA "muito fortemente há muitos anos".

Em vez de um acordo comercial mais lato, os relatos indicam que Trump e Modi devem antes assinar pequenos acordos sobre, por exemplo, a importação de motos Harley-Davidson e produtos lácteos, assim como pactos de defesa (a Rússia continua a ser o maior fornecedor da Índia, apesar de um possível acordo referente a helicópteros norte-americanos no valor de 2,4 mil milhões de dólares). Na agenda pode estar ainda a entrega de seis reatores nucleares, resultado de um acordo histórico alcançado em 2008.

Um porta-voz indiano disse que a quinta economia do mundo "não quer apressar um acordo", indicando que os assuntos que este envolve são "complicados".

Os EUA pressionam também a Índia a deixar de comprar petróleo iraniano, enquanto os empresários norte-americanos estão preocupados com os planos indianos de forçar as empresas estrangeiras a armazenas dados pessoais de consumidores indianos dentro do país.

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