Troadec: uma família destruída pelo ouro

Mãe de uma das vítimas e de uma cúmplice do alegado homicida confirma a existência de barras de ouro

Terá mesmo sido uma fortuna o móbil do crime que está a horrorizar a França. Os Troadec, família que esteve desaparecida durante quase um mês e cujos corpos foram ontem, finalmente, encontrados, foram assassinados pelo ex-cunhado, segundo confessou o próprio às autoridades. "Este caso terrível tem a sua origem num tesouro composto por barras e peças de ouro que o meu marido tinha escondido na garagem de nossa casa. Este ouro destruiu tudo", afirmou a matriarca da família ao jornal Le Parisien.

Roberte (nome fictício), 76 anos, é mãe de Pascal Troadec, morto pelo ex-cunhado Hubert Caouissin, e de Lydia Troadec, ex-mulher do alegado assassino, que também está detida por ter alegadamente ajudado o homicida a desfazer-se dos corpos. E é avó de Sebastian, de 21 anos, e Charlotte, de 18, também assassinados, e sogra de Brigitte Troadec, mulher de Pascal, também vítima deste crime. Não quer dar a cara e nem sequer o nome mas confirma a informação de que o tesouro terá estado na origem deste caso e que este estará no Mónaco ou Andorra.

Segundo conta ao jornal, o marido, que era estucador, descobriu o ouro "talvez roubado" em 2006 quando fazia um trabalho num prédio em Brest. Ficou viúva em 2009 e um ano depois, o filho Pascal aproveitou o facto de ter sido hospitalizada para ir lá a casa buscar o tesouro. "Ele roubou a irmã Lydie. Bem tentei interferir e arbitrar [o conflito]. Disse que não estava de acordo, mas o Pascal tornou-se autoritário e mandou-me calar", recorda.

Lembra ainda uma cena em que este se terá tornado violento, tendo feito ameaças e batido com força numa mesa. "Apanhei o maior susto da minha vida e disse-lhe que nunca mais o queria ver", diz.

De acordo com este relato, a relação entre o Pascal e o genro e a irmã nunca foi boa e o homem agora assassinado teria ciúmes da boa vida que o casal levaria.

A situação terá piorado com a morte do pai, marido de Roberte. Lydie adoeceu e Pascal tornou-se, nas palavras da própria mãe, "arrogante", tendo-se vangloriado de ter colocado o ouro no Mónaco e Andorra e de que era o suficiente para viver durante muito tempo.

O desaparecimento dos quatro elementos da família Troadec, na noite de 16 para 17 de fevereiro, esteve envolto em mistério até que Hubert Caouissin confessou a autoria do crime e levou os investigadores até ao local onde escondeu os corpos. Desde cedo surgiram notícias acerca da alegada existência de um tesouro, que estaria na origem do assassinato, mas a mãe do suspeito garantiu que se tratava de uma mera história, de uma fábula.

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