Time. Trump, Putin e Megan Markle entre as dez personalidades do ano

A revista Time já fez a lista os dez nomes para pessoa do ano. A variedade é muita e vai desde os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, passando pela duquesa de Sussex, até imigrantes e vítimas de violência

Todos os anos a revista Time elabora uma lista de personalidades e elege a mais influente. No ano passado a escolha foi surpreendente, já que recaiu sobre o movimento das mulheres que denunciaram o assédio sexual, no movimento conhecido como #Me Too. Este ano a lista dos 10 finalistas de "Person of the Year", cujo vencedor é conhecido esta terça-feira, inclui o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que foi o número um em 2016 e também aparecia na de 2017. Segue-se a lista de nomeados:

- Donald Trump, presidente dos EUA

O permanente cenário de crise na Casa Branca, envolvendo a sua equipa, a promulgação de várias leis controversas e a guerra comercial com a China ditaram a escolha do presidente americano.

- Famílias imigrantes separadas na fronteira dos EUA

Mais de duas mil famílias foram separadas na fronteira dos EUA sob a política de "tolerância zero" da administração Trump, que a pôs em prática em abril e terminou em junho, após forte contestação. Mas naquele período em que vigorou resultou na detenção de milhares de crianças em instalações do governo federa, quanto os pais eram enviados para as cadeias.

- Presidente russo, Vladimir Putin

A vitória esmagadora de Putin nas eleições de março, renovando o mandato por mais seis anos foi um dos motivos para integrar a lista de personalidades do ano. A que se acrescenta o alegado envolvimento da Rússia nas eleições americanas, o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, no Reino Unido, e o aumento da tensão com a Ucrânia.

- Conselheiro especial Robert Mueller, que foi designado para investigar se houve interferência da Rússia nas eleições americanas

Robert Mueller foi central na investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2016, bem como o envolvimento de figuras da administração Trump. A investigação do ex-diretor do FBI já resultou em 191 acusações criminais contra 32 pessoas e três empresas.

- O realizador do filme "Pantera Negra", Ryan Coogler

Este realizador de 32 anos conseguiu um êxito fenomenal com o filme da Marvel, que conseguiu a terceira maior receita de todos os tempos nos EUA.

- Christine Blasey Ford, que acusou o juiz do Supremo Tribunal de Justiça dos EUA, Brett Kavanaugh, de agressão sexual quando era adolescente

A professora de Psicologia da Califórnia, de 52 anos, tornou-se um símbolo para as vítimas de agressão sexual quando testemunhou na frente de senadores, em setembro, acusando o então nomeado para o Supremo Tribunal de Justiça, Brett Kavanaugh, de a ter molestado quando era adolescente.

- O jornalista saudita assassinado na Turquia, Jamal Khashoggi

O jornalista, muito crítico do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, foi visto pela última vez no consulado do seu país em Istambul a 2 de outubro. Veio-se a saber que foi assassinado, alegadamente a mando das autoridades sauditas, o que gerou uma onda de protestos em todo o mundo.

- Os estudantes americanos que organizaram manifestações de controlo das armas na manifestação "March for Our Lives

Depois de 17 pessoas terem sido mortas no dia dos Namorados, num tiroteio em massa em Marjory Stoneman Douglas High School em Parkland, Flórida, estudantes da escola organizaram um movimento #NeverAgain e as manifestações March for Our Lives, em toda a América, fazendo uma campanha pelo fim das armas.

- Presidente sul-coreano Moon Jae-in

Desde que recebeu a irmã de Kim Jong Un, líder norte-coreano, nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, em fevereiro, que o presdiente sul-coreano promoveu por três vezes o encontro com Kim Jong Un. Encontros que são históricos para a Península Coreana.

- Meghan Markle, duquesa Sussex

A ex-atriz americana trocou o cinema por um título real ao casar com o príncipe Harry, o que foi acompanhado por milhões de pessoas em todo o mundo.

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Há 30 anos exatos, Berlim deixou de ser uma ilha. Vou hoje contar uma história pessoal desse tempo muralhado e insular, num dos mais estimulantes períodos da minha vida. A primeira cena decorre em dezembro de 1972, no Sanatório das Penhas da Saúde, já em decadência. Com 15 anos acabados de fazer, integro um grupo de jovens que vão treinar na neve abundante da serra da Estrela o que aprenderam na teoria sobre escalada na neve e no gelo. A narrativa de um alpinista alemão, dos anos 1920 e 1930, sobre a dureza das altas montanhas, que tirou a vida a muitos dos seus companheiros, causou-me uma forte impressão. A segunda cena decorre em abril de 1988, nos primeiros dias da minha estada em Berlim, no árduo processo de elaboração de uma tese de doutoramento sobre Kant. Tenho o acesso às bibliotecas da Universidade Livre e um quarto alugado numa zona central, na Motzstrasse. Uma rua parcialmente poupada pela Segunda Guerra Mundial, e onde foram filmadas em 1931 algumas das cenas do filme Emílio e os Detectives, baseado no livro de Erich Kästner (1899-1974).Quase ao lado da "minha" casa, viveu Rudolf Steiner (1861-1925), fundador da antroposofia. Foi o meu amigo, filósofo e ecologista, Frieder Otto Wolf, quem me recomendou à família que me acolhe. A concentração no estudo obriga a levantar-me cedo e a voltar tarde a casa. Contudo, no primeiro fim de semana almoço com os meus anfitriões. Os dois adolescentes da família, o Boris e o Philipp, perguntam-me sobre Portugal. Falo no mar, nas praias, e nas montanhas. Arrábida, Sintra, Estrela... O Philipp, distraidamente, diz-me que o seu avô também gostava de montanhas. Cinco minutos depois, chego à conclusão de que estou na casa da filha e dos netos de Paul Bauer (1896-1990), o autor dos textos que me impressionaram em 1972. Eles ficam surpreendidos por eu saber da sua existência. E eu admirado por ele ainda se encontrar vivo. Paul Bauer foi, provavelmente, o maior alpinista alemão de todos os tempos, e um dos pioneiros das grandes montanhas dos Himalaias acima dos 8000 metros. Contudo, não teria êxito em nenhuma das duas grandes montanhas a que almejou. As expedições que chefiou, em 1929 e 1931, ao pico de 8568 metros do Kanchenjunga (hoje, na fronteira entre a Índia e o Nepal) terminaram em perdas humanas. Do mesmo modo, o Nanga Parbat, com os seus 8112 m, seria objeto de várias expedições germânicas marcadas pela tragédia. Dez mortos na expedição chefiada por Willy Merkl, em 1934, e 16 mortos numa avalancha, na primeira expedição comandada por Paul Bauer a essa montanha paquistanesa em 1937. A valentia dos alpinistas alemães não poderia substituir a tecnologia de apoio à escalada que só os anos 50 trariam. Bauer simboliza, à sua maneira, esse culto germânico da vontade, que tanto pode ser admirável, como já foi terrível para a Alemanha, a Europa e o mundo. Este meu longo encontro e convívio com a família de Paul Bauer, roça o inverosímil. Mas a realidade gosta de troçar do cálculo das probabilidades.