Juntar várias amostras e testar de uma vez. Estados Unidos consideram nova estratégia de combate à covid

Especialistas norte-americanos estão a estudar a hipótese de fazerem análises coletivas de despiste ao novo coronavírus para agilizar processo de testagem. A ideia é misturar várias amostras e testá-las em conjunto para obter um único resultado. Se este for negativo, as pessoas ficam logo todas livres de suspeita. Perante um positivo há que refazer testes individuais.

"Algo não está a funcionar", admitia Anthony Fauci, o diretor Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e um dos especialistas com mais relevo nos Estados Unidos no combate à pandemia de covid-19, durante uma entrevista ao The Washtington Post, esta sexta-feira. Segundo o infeciologista, o país está a ter dificuldades em rastrear os contactos dos infetados e em controlar as cadeias de transmissão. Principalmente entre os jovens assintomáticos, que representarão cerca de 40% dos casos, estima Fauci. E, por isso, defende que é preciso rever a estratégia de testagem, ideia que tem sido apontada por diversos especialistas.

Os números continuam a subir e a equipa que planeia a resposta à covid-19 na Casa Branca está a "pensar seriamente" na adoção de uma atitude mais abrangente, num método de testagem coletivo, que permita fazer mais exames e ter mais resultados. Trata-se de testes de massas, como tem sido citado em diversos órgãos de comunicação social norte-americanos.

O conceito passa por identificar um grupo de pessoas, testar em massa e analisar as amostras recolhidas em conjunto. Por exemplo, no caso de um lar com 50 pessoas, são recolhidas amostras a todas elas, sendo estas amostras misturadas posteriormente e analisadas como uma só em laboratório. Um resultado negativo permite descartar toda a população desse lar. Um positivo, identifica a presença do vírus e obriga à realização de testes individuais, explica a cadeia televisiva norte-americana CNN, depois de falar também com Anthony Fauci.

"O importante é saber qual é a parte da população que está infetada. E a única forma de saber isso é criar uma rede disseminada [de testes]", dizia o infeciologista sobre as vantagens do método.

A ideia não é nova. Aliás tem sido discutida na Alemanha ou em Israel e terá mesmo sido implementada na China, na cidade de Wuahn, onde o novo coronavírus foi descoberto no final do ano passado. As autoridades de saúde locais referiram, em maio, terem usado apenas 6,6 milhões de testar para examinar uma população de nove milhões, o que foi interpretado, pela comunicação social local, como o início dos testes de despiste coletivos.

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos aprova a iniciativa, já o fez saber. Tendo no mês passado emitido uma recomendação neste sentido para as empresas. Por sua vez, Anthony Fauci considera que é viável e que os laboratórios estão prontos para implementar a ideia a uma escala maior, com as devidas adaptações. No entanto, para já o teste piscina ainda é uma proposta, um tema em discussão entre os especialistas e conselheiros da Casa Branca.

EUA registam mais 574 mortos e batem recorde diário de infeções. Trump justifica números com testes

Os Estados Unidos da América são o país com o maior número de infetados (mais de 2,4 milhões) e de vítimas mortais (124 978) por causa do novo coronavírus no mundo. E os números não parecem abrandar. Nas últimas 24 horas, o país voltou a bater um valor recorde de novas infeções: 45 330, segundo o balanço realizado às 20:00, hora local (01:00 de quinta-feira em Lisboa). Morreram ainda mais 574 pessoas num dia.

Nova Iorque é o estado mais afetado pelo novo coronavírus nos Estados Unidos, com 391 220 casos confirmados e 31 342 mortes, um número apenas inferior ao do Brasil, Reino Unido e Itália.

No entanto, o presidente do país não olha para estes resultados alarmado. Pelo contrário. Diz até serem positivos por se tratarem de um reflexo da capacidade de testagem do país - opinião não partilhada pelos especialistas e já colocada em causa pelo próprio Donald Trump quando sugeriu, na semana passada, a desaceleração dos testes de despiste.

"Temos os melhor sistema de testes do mundo", apontou o chefe de estado, que elogiou ainda os outros indicadores do país. "As mortes estão baixas. Temos uma das taxa de mortalidade mais baixas do mundo", acrescentou. Atualmente, a taxa de letalidade dos Estados Unidos é de 5%.

Também o vice presidente Mike Pence - responsável pela equipa dedicada ao coronavírus da Casa Branca - garantiu que a situação epidemiológica do país está controlada, na conferência de imprensa, desta sexta-feira. "Estamos numa posição melhor. A verdade é que diminuímos as transmissões, achatámos a curva", disse Pence, que aproveitou ainda para apelar aos jovens para que sigam os conselhos das autoridades de saúde.

"Todos os 50 estados e territórios do país estão a abrir em segurança e com responsabilidade", continuou, apesar de oito estados terem optado por fazer uma pausa no processo de desconfinamento por causa do constante aumento de novos casos e óbitos diários.

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