Terceira mulher entra no templo e desafia conservadores hindus

Uma mulher de 46 anos entrou no templo de Sabarimala, no sul da Índia, tornando-se na terceira mulher esta semana a desafiar um tabu sobre a presença de mulheres. O Supremo Tribunal anulou a proibição, mas os conservadores hindus não admitem a presença feminina.

Não foram dados pormenores como a mulher, uma cidadã do Sri Lanka, entrou no templo, exceto que se fez acompanhar do marido e que teve acompanhamento policial. Quando as duas primeiras mulheres a violar a proibição religiosa - mas permitida por lei - entraram no templo na madrugada de quarta-feira, chegaram numa ambulância com uma escolta policial à paisana e entraram por um portão lateral sem que nenhum devoto percebesse.

Grupos conservadores hindus paralisaram Kerala na quinta-feira, ao fecharem lojas e interromperem o trânsito com uma greve de protesto contra o governo do estado de Kerala, de esquerda, que apoiou o direito das mulheres de entrar no templo.

Os protestos contra a coligação comunista de Kerala, liderada pelo ministro-chefe Pinarayi Vijayan, foram apoiados pelos maiores partidos nacionais: BJP, os nacionalistas hindus do primeiro-ministro Narendra Modi e o partido de oposição Congresso.

O templo de Sabarimala, que presta culto ao deus celibatário Ayyappan, é um dos poucos na Índia que proíbe a entrada de meninas e mulheres entre os 10 e os 50 anos de idade. Os conservadores hindus dizem que as mulheres menstruadas são impuras e que a presença de mulheres pode ser uma tentação para Ayyappan, porém os grupos de defesa dos direitos das mulheres afirmam que a proibição é discriminatória.

A discriminação contra as mulheres menstruadas é comum nalgumas regiões do sul da Ásia, onde são proibidas de entrar em casas ou templos e de participar em certas atividades sociais.

Em setembro, o Supremo Tribunal ditou o fim da proibição de entrada de mulheres e meninas no templo visitado por milhões de fiéis todos os anos. O templo recusou cumprir a decisão judicial e as tentativas subsequentes das mulheres em visitar o templo foram bloqueadas por milhares de devotos.

No dia 1, realizou-se um cordão formado por cerca de milhões de mulheres, no estado de Kerala - um protesto contra a discriminação das mulheres, e pela forma como continuavam a ser impedidas de entrar no templo de Sabarimala.

Na sexta-feira, Kerala havia voltado ao normal depois da greve e dos protestos dos dias anteriores, que resultaram num morto e na detenção de 750 pessoas.

Kerala é um estado no sudoeste da Índia com mais de 30 milhões de habitantes, onde a presença portuguesa se fez sentir entre o século XVI e XVII, em particular em Cochim (onde Vasco da Gama morreu), mas também em Coulão, Cranganor, Calecute e Cananor.

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