Taxa Google. França espera chegar a acordo com EUA antes do G7

Como represália à intenção gaulesa de aplicar um imposto às grandes tecnológicas como a Google, Amazon, Facebook e Apple, Trump ameaçou taxar o vinho francês.

A França quer chegar a acordo com os Estados Unidos sobre a taxação dos grandes grupos digitais antes da reunião do G7 no final de agosto, disse este sábado o ministro das Finanças francês.

"Não há nenhuma intenção de atingir especificamente empresas americanas", afirmou o ministro Bruno Le Maire, em resposta aos ataques de Donald Trump, na sexta-feira, a propósito da intenção de França de avançar com um imposto sobre os gigantes tecnológicos.

Na sexta-feira, Donald Trump chamou "estúpido" ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e ameaçou taxar o vinho francês, como represália pela imposição de uma taxa francesa sobre os grupos norte-americanos do setor da alta tecnologia, a designada taxa GAFA, por referência a Google, Amazon, Facebook e Apple.

Numa primeira resposta às ameaças de represálias e insultos do Presidente norte-americano, Bruno Le Maire referiu que a França "vai aplicar as suas decisões nacionais" sobre a taxação do digital, enquanto espera um acordo internacional.

Taxa de 3% para grandes empresas

"A taxação universal das atividades digitais é um desafio que nos respeita a todos. Desejamos chegar a um acordo sobre este assunto no quadro do G7 (grupo das sete economias mais industrializadas) e da OCDE. Enquanto espera, a França "vai aplicar as suas decisões nacionais", declarou.

A chamada taxa Google (ou GAFA) pretende taxar em 3% as empresas digitais com receitas globais superiores a 750 milhões de euros ou ganhos superiores a 50 milhões na Europa.

Estas empresas são acusadas de utilizarem paraísos fiscais para fugir aos impostos na Europa e alguns estudos indicam que a nova taxa pode representar a entrada de 5 mil milhões de euros por ano nos cofres da União Europeia.

A medida tem sido discutida em vários Estados da Europa - incluindo Portugal -, mas alguns países, como a Alemanha e a Irlanda, consideram que a taxação deve ser feita sobre os lucros das empresas e não sobre as receitas.

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