"A mãe de Satanás", o explosivo de eleição do Estado Islâmico

É fatal, discreto e fácil de produzir. TATP ou "a mãe de Satanás" é o explosivo de eleição nos atentados do Estado Islâmico. As autoridades suspeitam que voltou a ser utilizado nos ataques de Bruxelas

Horas depois das explosões que mataram 31 pessoas, um taxista conduziu as autoridades a uma morada onde, sem saber, tinha recolhido os três homens responsáveis pelo atentado no principal aeroporto da cidade.

No apartamento, Frédéric Van Leeu, procurador-geral belga, revelou que foram descobertos "quinze quilos de explosivo TATP, 150 litros de acetona, 30 litros de peróxido de hidrogénio, detonadores, uma mala cheia de pregos e parafusos", mas as autoridades ainda não confirmaram o uso da substância nas explosões do aeroporto e do metro.

Apelidada pelos jihadistas como "Mãe de Satanás", trata-se de uma substância altamente volátil e potente que pode ser detonada com facilidade e causar muitos estragos.

A ser confirmada a sua utilização nas explosões de terça-feira, torna-se no mais recente exemplo de produtos químicos usados nos ataques terroristas em solo europeu.

Descoberto no final do século XIX por um químico alemão, é um explosivo caseiro cujos componentes podem ser facilmente encontrados no mercado.

O composto de peróxido de acetona (TATP em inglês), obtido pela mistura de acetona, água oxigenada e ácido (sulfúrico, nítrico ou clorídrico), pode ser fabricado a partir de casa e os seus componentes podem ser adquiridos sem levantar suspeitas.

Eric, um reformado engenheiro especializado em materiais explosivos que prefere não revelar o segundo nome, contou à France-Presse que para produção desta substância "não basta assistir a um tutorial na internet".

"Precisas de alguém que te mostre como se faz. O problema é que o Estado islâmico não tem falta de instrutores na Síria e no Iraque. Assim que te mostrarem como produzir a substância podes facilmente fazê-lo a partir da tua cozinha".

"O problema do TATP é a acessibilidade aos seus componentes", conta à mesma agência um membro dos serviços franceses de antiterrorismo. "Podemos monitorizar a compra de peróxido de hidrogénio, mas se eles forem espertos compram em pequenas quantidades e em farmácias diferentes. É o que acontece com a acetona e o ácido".

TATP foi também usado nos atentados de Londres em 2005 que mataram 56 pessoas e mais recentemente, nos ataques de Paris em novembro do ano passado onde outras 130 pessoas perderam a vida.

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