Suspeito das bombas nos EUA é republicano registado e presença habitual nos comícios de Trump

Registo criminal é longo e inclui ameaças de uso de bombas, acusações relativas a fraude e drogas e roubo. Residentes de Aventura, a norte de Miami, falam de uma viatura semelhante à que foi apreendida

Cesar Sayoc Jr., de 56 anos, foi esta sexta-feira detido em Plantation, na zona de Miami, e é o suspeito no caso das bombas endereçadas a críticos do Presidente Donald Trump. As autoridades norte-americanas apreenderam uma carrinha, propriedade de Sayoc Jr., que terá sido identificado pela polícia através de ADN recolhido em envelopes onde foram enviados alguns dos engenhos explosivos, avançou a NBC. O veículo estaria coberto de autocolantes pro-Trump e o New York Times refere que o homem está registado republicano.

O mesmo jornal conta que o suspeito tem um longo historial de crime, cujos registos começam em 1991, que incluem roubo, acusações relativas a fraude e drogas, e ainda acusações e detenções depois de ameaças de uso de bombas, segundo registos públicos. O Departamento Criminal da Florida tem no registo criminal de Cesar Sayoc Jr. que a última vez que esteve preso foi em 2015. O homem terá também antecedentes criminais por ameaças terroristas a juízes, de acordo com vários órgãos de comunicação norte-americanos.

O New York Times cita ainda uma declaração de falência, datada de 2012, preenchida em Miami, onde o homem de 56 anos residia na altura com a mãe. "Vive com a mãe", lia-se numa nota escrita à mão, que acrescentava: "não tem mobília".

Residentes de Aventura, localidade a norte de Miami, afirmaram ao NYT verem regularmente uma carrinha branca coberta de autocolantes pro-Trump, muitas vezes estacionada perto do centro comercial local. Não há ainda, no entanto, confirmação oficial de que se trate do mesmo veículo.

Nas redes sociais já circulam várias fotografias do suspeito em comícios e eventos a favor de Donald Trump.

A detenção acontece depois de as autoridades norte-americanas encontrarem esta sexta-feira mais engenhos explosivos que tinham sido remetidos ao senador de Nova Jérsia, Cory Booker, e outro destinado ao ex-diretor dos serviços secretos, James Clapper. O pacote destinado a Booker, um membro do Partido Democrata, foi intercetado na Florida enquanto o segundo foi detetado nos correios em Nova Iorque.

São já 12 as bombas intercetadas esta semana, todas dirigidas a críticos da administração Trump. O milionário George Soros, Hillary Clinton, Barack Obama, Joe Biden, Eric Holder (antigo procurador-geral na administração Obama), Maxine Waters (congressista democrata), Roberto de Niro, Joe Biden e John Brennan, ex-diretor da CIA. No caso de Biden e Waters estão em causa dois engenhos explosivos.

James Clapper já reagiu e deixou um alerta para todos os que têm sido críticos do presidente Donald Trump: "Isto é terrorismo doméstico. Acho que qualquer um que tenha sido um crítico, publicamente, do presidente Trump, deve estar em alerta e tomar algumas precauções, especialmente no que diz respeito ao correio", apontou o ex-diretor dos serviços secretos, afirmando não estar surpreendido por ser um dos alvos.

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