"Situação em Caxemira tem piorado no último ano"

Primeiro-ministro de Azad Caxemira entre 1996 e 2001, Sultan Mahmood Chaudry continua a ser um dos políticos mais influentes na parte do território sob controlo do Paquistão. Filho de um líder histórico caxemirense e formado em Direito no Reino Unido, esteve em Lisboa para alertar para os problemas na parte de Caxemira governada pela Índia, tendo-se reunido com o Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Paquistão. Em entrevista ao DN, mostrou-se um otimista moderado sobre o futuro de Caxemira e as relações entre Paquistão e Índia.

Como anterior primeiro-ministro de Azad Caxemira, como encara a situação atual na parte de Caxemira controlada pela Índia?

A situação em Caxemira controlada pela Índia tem piorado no último ano e está a piorar continuamente. As violações dos direitos humanos ali perpetradas dão uma imagem muito sombria de Caxemira.

De que forma está o Paquistão a apoiar os protestos do lado indiano da Linha de Controlo?

O Paquistão não está a apoiar os protestos do lado indiano da Linha de Controlo em termos materiais. Contudo, a posição do Paquistão acerca dos direitos legais do povo de Caxemira de decidir o seu destino mantém-se intacta.

O senhor pertence a uma família importante de Caxemira. Imagina possível encontrar-se uma solução pacífica para Caxemira, de forma a possibilitar a comunicação entre famílias separadas durante estes 70 anosde conflito?

Seria uma excelente iniciativa se meios pacíficos como as chamadas medidas de promoção da segurança e da confiança fossem adotadas, de forma a incrementar a comunicação entre famílias. Devemos encorajar e promover todos os esforços para a pacificação de Caxemira.

Tem contactos no outro lado da Linha de Controlo, pessoas do lado indiano com quem possa dialogar de forma a melhorar a situação?

Sim, podemos contar com líderes de Caxemira e uma classe instruída no sentido de realçar a importância desta situação. Os líderes nesta luta em torno de Caxemira estão em consonância.

Com a Liga Muçulmana no poder em Islamabad e o partido nacionalista hindu BJP a governar em Nova Deli, há algumas perspetivas de diálogo sobre a questão de Caxemira?

Aparentemente, haverá menores perspetivas, mas há que dar início a um diálogo de ambos os lados. Os esforços para o diálogo levados a cabo pelo Paquistão não têm tido resposta da parte da Índia. Compreendendo as complexidades da situação regional, tanto o Paquistão como a Índia têm um importante papel a desempenhar, de forma a prevenir que a situação atual se agrave ainda mais. Há sempre possibilidade de estabelecer a paz.

Está de visita a vários países para falar sobre Caxemira. Que papel pede à comunidade internacional que desempenhe?

A comunidade internacional pode desempenhar um papel crucial nesta situação. O de fazer parar as violações dos direitos humanos e o de promover o diálogo entre a Índia e o Paquistão.

Sente-se otimista quanto às relações entre a Índia e o Paquistão num futuro próximo? Será possível encontrar uma solução para a inimizade que existe desde 1947?

Eu sou otimista em relação ao futuro. Embora a situação atual entre a Índia e o Paquistão proporcione agora menos otimismo, a paz tem de prevalecer. A guerra tem grandes custos e não é a solução para o problema.

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