Vladimir Putin quer que Israel "se abstenha de qualquer ação"

A Rússia pediu ao regime de Benjamin Netanyahu que não faça nada em relação ao caso da Síria que possa tornar a relação russa com os EUA ainda mais instável

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, instou esta quarta-feira o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a "abster-se de qualquer ação que desestabilize ainda mais a situação", depois dos ataques israelitas contra uma base do regime sírio.

Numa conversa por telefone com Benjamin Netanyahu, Vladimir Putin "pediu a abstenção de qualquer ação que desestabilize ainda mais a situação no país, o que representaria uma ameaça à sua segurança", refere o Kremlin, em comunicado.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, avisou a Rússia, aliada do regime sírio, que mísseis serão lançados na Síria após o alegado ataque químico na cidade síria de Douma atribuído às forças de Damasco.

"A Rússia prometeu destruir todos e quaisquer mísseis disparados contra a Síria. Prepara-te Rússia, porque eles vão começar a chegar, bons, novos e inteligentes!", escreveu Trump na rede social Twitter, depois de o embaixador russo no Líbano, Alexander Zasipkin, ter dito que quaisquer mísseis lançados por Washington contra a Síria serão abatidos pelas forças de Moscovo e que as plataformas de lançamento passarão a ser um alvo.

"Não deviam ser parceiros de um animal que mata com gás o seu povo e que gosta!", acrescentou o Presidente dos Estados Unidos na mesma mensagem.

Trump cancela a ida à Cimeira das Américas

Na segunda-feira, Trump afirmou que iria responder de forma vigorosa ao alegado ataque químico cometido no sábado contra a cidade rebelde de Douma, na Síria, e prometeu então que a decisão dos Estados Unidos seria conhecida dentro de 24 a 48 horas.

Em declarações aos jornalistas, o chefe de Estado norte-americano referiu ainda na mesma ocasião que não existiam opções fora da mesa.

Já na terça-feira, os Estados Unidos, apoiados por aliados como França e o Reino Unido, admitiram uma resposta militar para eliminar a ameaça de ataques químicos pelas forças do regime de Bashar al-Assad.

E Trump anunciou o cancelamento da sua deslocação à Cimeira das Américas, no Peru, e à Colômbia para "supervisionar a resposta norte-americana em relação à Síria" e acompanhar os acontecimentos internacionais.

A Síria nega qualquer utilização de armas químicas, assim como a Rússia, principal aliado do regime sírio, que afirmou que eventuais ataques ocidentais teriam "graves consequências".

Hoje, Moscovo advertiu contra qualquer ação na Síria que possa "desestabilizar a situação já frágil na região".

"Esperamos que todas as partes evitem qualquer ação que não seria justificada e que poderia desestabilizar a situação, já frágil, na região", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, à imprensa.

Organizações apoiadas pelos Estados Unidos denunciaram que pelo menos 42 pessoas, entre as quais várias crianças, morreram em Douma, o último bastião rebelde em Ghouta oriental, nos arredores de Damasco, com sintomas associados a um ataque com armas químicas.

O ataque contra Douma ocorreu dias depois de Trump ter reiterado a sua disposição para deixar a Síria.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG