Rússia admite bombardear Aleppo para impedir avanço 'jihadista'

Contraofensiva lançada pela Frente al-Nosra este sábado leva responsáveis russos a defenderem a retoma dos bombardeamentos contra os "jihadistas"

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, admitiu hoje que a aviação russa venha a bombardear Aleppo e os arredores para impedir os 'jihadistas' de ganhar terreno na região da segunda cidade da Síria.

"O que está a acontecer em e à volta de Aleppo é o que já tínhamos avisado os Estados Unidos [que aconteceria] e eles sabem-no: vamos apoiar da maneira mais ativa as forças sírias a partir do ar para que não permitam a tomada de terreno pelos terroristas", disse Lavrov numa conferência de imprensa.

O ministro russo assegurou que qualquer decisão que a Rússia venha a tomar "não será uma surpresa para os Estados Unidos", que pediram a Moscovo que não bombardeie Aleppo para não atingir grupos da oposição moderada ao regime ativos na zona.

"Tomaremos uma decisão sobre como vão atuar as nossas forças aéreas segundo a nossa análise da situação. Partilhamos diariamente a nossa visão com os norte-americanos", disse.

Lavrov afirmou por outro lado que os Estados Unidos "não cumpriram o compromisso de separar os grupos da oposição síria leal ao seu país das posições da Frente al-Nosra e de outros terroristas".

"Pensamos que, desde fevereiro, houve tempo de sobra para a oposição normal abandonar o território ocupado pela Frente al-Nosra. Aqueles que não se afastaram dos terroristas só podem culpar-se a si mesmos", disse.

Na semana passada, Lavrov advertiu que estava prestes a terminar o prazo para que todos os grupos da oposição síria se juntassem à trégua, caso contrário as suas posições tornar-se-iam alvos legítimos da aviação russa.

Vários responsáveis russos defenderam nos últimos dias que a aviação russa deve retomar os bombardeamentos contra os 'jihadistas' em Aleppo na sequência da contraofensiva lançada no sábado pela Frente al-Nosra, ramo sírio da Al-Qaeda, contra bairros controlados pelas milícias curdas ou pelas forças governamentais.

Segundo o comando militar russo na Síria, um ataque lançado sábado pelos 'jihadistas' no norte de Aleppo fez mais de 40 mortos, entre civis, militares e polícias.

"A Rússia não vai ficar eternamente à espera. Os terroristas aproveitam cada dia para engrossar as suas fileiras e rearmar-se", afirmou o presidente da comissão de Negócios Estrangeiros do Senado russo, Kontantin Kosachov, às agências russas.

A Rússia propôs no final de maio aos Estados Unidos bombardeamentos conjuntos contra posições de 'jihadistas', o que foi recusado por Washington.

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