Ataque químico foi "encenado para as câmaras" pelos "capacetes brancos"

Rússia diz que o "ataque químico" é uma "encenação" dos voluntários que resgatam as vítimas das zonas controladas pelos rebeldes

"A situação está completamente estabilizada. As forças armadas russas estão a concluir a sua operação humanitária maciça conjuntamente com as forças governamentais sírias" na região, disse o general do Estado-Maior russo numa conferência de imprensa.

O general russo Viktor Poznikhir disse que os últimos combatentes rebeldes "estão neste momento a sair de Douma" e "não houve nenhum disparo ou confronto nos últimos cinco dias" em toda a região de Ghouta, nos arredores de Damasco.

No total, 41.213 pessoas, incluindo 3.354 rebeldes e 8.642 familiares de rebeldes, deixaram Douma com a ajuda das forças russas, afirmou.

Uma unidade da polícia militar russa vai ser destacada a partir de amanhã [quinta-feira] para garantir a segurança, manter a ordem e organizar a assistência aos habitantes de Douma

Nesta fase, precisou, a partir de quinta-feira, a Rússia vai destacar as suas unidades de polícia militar para Douma, para garantir a segurança da cidade.

"Uma unidade da polícia militar russa vai ser destacada a partir de amanhã [quinta-feira] para garantir a segurança, manter a ordem e organizar a assistência aos habitantes de Douma", disse.

O general disse que o alegado ataque químico contra Douma, que a oposição e países ocidentais atribuíram às forças do regime, foi "encenado para as câmaras" pelos "capacetes brancos", organização de voluntários que resgata vítimas das zonas controladas pelos rebeldes.

Operando exclusivamente nas fileiras dos terroristas, os capacetes brancos encenaram mais uma vez para as câmaras um ataque químico contra civis na cidade de Douma

Segundo Poznikhir, oficiais russos recolheram amostras em Douma, nas quais não foi detetado qualquer vestígio de um ataque químico.

Além disso, afirmou, médicos de um hospital local disseram aos comandantes russos que não trataram nenhuma vítima do alegado ataque, e residentes de Douma disseram-lhes não ter tido conhecimento de qualquer funeral de vítimas de um ataque químico.

O general insistiu que as alegações contra as forças sírias são "falsas" e repetiu a disposição da Rússia para garantir a segurança de peritos independentes que se deslocam à zona para investigar o ataque.

Donald Trump avisou esta quarta-feira a Rússia que os mísseis "estão para chegar" à Síria, na sequência do alegado ataque químico que aconteceu na cidade de Douma. O Presidente dos EUA criticou ainda os russos por estarem do lado do regime de Bashar al-Assad.

"A Rússia prometeu destruir todo e qualquer míssil disparado para a Síria. Preparem-se, porque os mísseis estão a chegar. Bons, novos e 'espertos'. Não deviam ser parceiros com um animal que mata o seu povo e gosta", escreveu Trump no Twitter, depois de o embaixador russo no Líbano, Alexander Zasipkin, ter dito que quaisquer mísseis lançados por Washington contra a Síria serão abatidos pelas forças de Moscovo e que as plataformas de lançamento passarão a ser um alvo.

A Eurocontrol, organização europeia de segurança na navegação aérea, divulgou esta terça-feira uma "advertência rápida" às companhias aéreas do leste do Mediterrâneo contra possíveis ataques aéreos contra a Síria com mísseis nas próximas 72 horas.

"Devido ao possível lançamento de ataques aéreos na Síria com mísseis ar-terra e/ou de cruzeiro, nas próximas 72 horas, e a possibilidade de interrupção intermitente de equipamentos de radionavegação, este aviso deve ser levado em conta ao planear operações de voo na área do Mediterrâneo Oriental-Nicósia", divulgou a organização europeia, no seu sítio na internet.

Na segunda-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu "responder abruptamente" ao alegado ataque químico na cidade síria de Douma, perto de Damasco, que causou dezenas de mortes e centenas de feridos, de acordo com várias organizações não-governamentais (ONG) no terreno.

Mais de 40 pessoas morreram - outras fontes falam em 70 vítimas - , no sábado, num ataque contra a cidade rebelde de Douma, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas químicas.

A oposição síria e vários países acusaram o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco negou e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram "nenhum vestígio" de substâncias químicas.

Organização Mundial da Saúde (OMS) exigiu esta quarta-feira "acesso livre" a Douma, nos arredores de Damasco (Síria), para confirmar os relatos de que cerca de 500 pessoas foram afetadas por um ataque químico no local, no sábado, e prestar assistência médica. O Governo sírio nega o uso de armas químicas.

A agência disse que recebeu informações de que centenas apresentaram sintomas consistentes com exposição a produtos químicos tóxicos, como dificuldade para respirar, irritação das membranas mucosas e falha do sistema nervoso central.

"Duas instalações de saúde também foram supostamente afetadas por esses ataques", lê-se na declaração da OMS, citada pela BBC.

"A OMS exige acesso irrestrito imediato à área para prestar assistência às pessoas afetadas, avaliar os impactos na saúde e fornecer uma resposta abrangente de saúde pública", diz ainda o documento.

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