Silva Peneda: "Clima de incerteza" vai gerar "crise financeira"

Segundo o conselheiro especial do presidente da Comissão Europeia o "brexit" é resultado de uma fratura na campanha entre os mais novos e os mais velhos

Silva Peneda, conselheiro especial do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, considerou hoje que a decisão do Reino Unido vai gerar a nível europeu "uma crise financeira", porque se viverá um "clima de muita incerteza".

"A nível europeu vai haver com certeza uma crise financeira, fundamentalmente porque vamos viver um clima de muita incerteza, de muita volatilidade e isso é o pior que pode acontecer em termos de expectativas de investimento e de criação de emprego. Todos vamos sofrer com esta decisão", afirmou o ex-presidente do Conselho Económico e Social, que foi também ministro do Emprego e da Segurança Social do XI e XII governos, liderados pelo PSD.

Na opinião de Silva Peneda, o referendo que votou a saída do Reino Unido da União Europeia é o resultado de "uma fratura na campanha entre os mais velhos e os mais novos, entre os que têm preocupações económicas e aqueles que têm outro tipo de preocupações".

O responsável considera que com esta decisão "a Inglaterra vai sofrer muito, desde logo porque os agricultores vão deixar de ter apoio da UE, da Política Agrícola Comum, a bolsa hoje já mostrou o que vai acontecer, vai haver retração em termos de crescimento económico, em termos de emprego. Do ponto de vista geral, o Reino Unido vai sofrer bastante com esta saída".

O conselheiro especial do presidente da Comissão Europeia alertou ainda a atenção para "um problema político de fundo", referindo que "a Europa vai com certeza sofrer o chamado efeito dominó, já há países como a Holanda, a Dinamarca e agora, até a Itália a querer pôr a sua permanência em causa".

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"Há quem defenda que isto vai voltar ao princípio e, portanto, os países fundadores devem reunir-se, voltar tudo à estaca zero. Vamos atravessar uma grande incerteza, quando não era necessário", acrescentou.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair da União Europeia (UE), depois de o 'Brexit' ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

As principais bolsas europeias abriram hoje em forte queda, com a bolsa de Londres a descer perto dos 8%, mantendo-se ao início da tarde com perdas entre os 4% e os 10%.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um 'divórcio' o mais rapidamente possível, "por muito doloroso que seja o processo".

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