Sete candidatos, três favoritos e uma preocupação: Marine Le Pen

Hoje é a primeira volta das primárias da direita. Face à divisão da esquerda, o vencedor poderá ser o próximo inquilino do Eliseu - se conseguir travar a candidata da extrema-direita

Os eleitores franceses são hoje chamados a votar nas primeiras primárias abertas de direita, para escolher quem será o candidato à presidência nas eleições do próximo ano. O combate pode ser a sete, mas a verdadeira luta parece ser apenas entre três, estando na mente de todos só uma coisa: quem estará mais bem colocado para derrotar Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita que as sondagens põem na segunda volta das presidenciais e que quer ser a próxima surpresa eleitoral depois do brexit ou da vitória de Donald Trump nos EUA.

Há meses que o ex-primeiro--ministro e presidente da Câmara de Bordéus, Alain Juppé, surgia como favorito nas sondagens, com o ex-presidente Nicolas Sarkozy a aparecer em segundo. Mas, na última semana, o antigo chefe de governo François Fillon tem vindo a ganhar terreno, havendo várias sondagens que o colocam em primeiro (como a da Ipsos para o Le Monde) e como vencedor na segunda volta - marcada para o próximo domingo. A ascensão de Fillon deve-se, segundo os analistas, à boa campanha que fez e ao bom desempenho nos três debates televisivos.

Num eventual duelo com Le Pen na segunda volta das presidenciais de 2017, as sondagens colocam Juppé como o mais bem posicionado para a derrotar. A probabilidade de uma vitória da candidata de extrema-direita, que inaugurou nesta semana a sede de campanha em Paris, é de 25% quando o adversário é o presidente da Câmara de Bordéus. Contudo, aumenta para 35% caso o duelo seja com Sarkozy ou Fillon, mostrando a falta de atrativo de ambos para conquistar o eleitorado para além da direita. Juppé é visto como sendo mais do centro.

Os institutos de sondagens que falharam as previsões no brexit e na vitória de Trump têm no caso das primárias francesas uma tarefa ainda mais difícil. Isto porque o escrutínio é aberto a todos os eleitores franceses - independentemente da sua cor política -, bastando para isso que paguem dois euros e assinem uma declaração na qual assumem "partilhar os valores republicanos da direita e do centro".

A eventual participação de eleitores de esquerda e de extrema-direita pode fazer balançar as probabilidades. Além de Juppé, Sarkozy e Fillon, estão na corrida Bruno Le Maire, Nathalie Kosciusko-Morizet, Jean-François Copé e Jean-Frédéric Poisson. Depois de meses à frente nas sondagens, Juppé está confiante num bom resultado e de que não haverá surpresas, tendo afirmando a uma rádio francesa: "Não sou a Hillary Clinton e a França não é a América." As primárias da direita serão uma forma também de testar o eleitorado em relação ao que esperar nas presidenciais do próximo ano.

O vencedor das primárias da direita tem grandes probabilidades de ser o próximo inquilino do Eliseu, face às divisões na esquerda. O impopular presidente francês, o socialista François Hollande (só 15% dos eleitores têm uma opinião favorável dele), ainda não anunciou se vai ou não ser candidato - terá de passar pelas primárias de esquerda, previstas para janeiro, e poderá não querer arriscar uma derrota. O primeiro-ministro Manuel Valls estará à espera do seu anúncio e, se Hollande não avançar, entrará na corrida.

A divisão à esquerda torna-se mais acentuada com o anúncio oficial nesta semana da candidatura do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que criou o seu próprio movimento En Marche! (Em Frente). Lançando-se diretamente na corrida ao Eliseu (saltando as primárias), promete dividir ainda mais o voto da esquerda na primeira volta das presidenciais, a 23 de abril.

OS SETE CANDIDATOS

Bruno Le Maire

› O ex-ministro da Agricultura e chefe de gabinete de Domini-que de Villepin, é deputado por Eure. Aos 46 anos, apresenta--se com o objetivo de renovar a política, tal como quando concorreu em 2014 a líder da UMP (União para um Movimento Po-pular, atual Os Republicanos). É casado e tem quatro filhos.

Alain Juppé

› Ex-primeiro-ministro de Jaques Chirac (1995 a 1997), o maire de Bordéus é o favorito nas sondagens. Com 70 anos (é o mais velho), já passou pela Ecologia, Defesa e Diplomacia, tendo estado uns anos afastado (viveu no Quebeque) após ser condenado por abuso de fundos públicos. É casado e tem três filhos.

Nathalie Kosciusko-Morizet

› NKM, como é conhecida, foi afastada de vice d"Os Republi-canos no fim de 2015, em desacordo com Nicolas Sarkozy. Ex-ministra da Ecologia e autarca de Longjumeau, a deputada por Éssonne concorreu em 2013 à Câmara de Paris. É divorciada e tem dois filhos.

Nicolas Sarkozy

› Presidente francês entre 2007 e 2012, deixou a liderança d"Os Republicanos para concorrer às primárias. Aos 61 anos, o ex-presidente da Câmara de Neuilly e ministro de várias pastas, incluindo Interior e Finanças, está ensombrado por vários processos judiciais. É casado e tem quatro filhos.

Jean-François Copé

› Autarca de Meaux e deputado de 52 anos, passou pelos governos de Jean-Pierre Raffarin e Villepin a foi secretário geral e presidente da UMP de 2010 a 2014. Foi obrigado a sair por alegado favorecimento à empresa de dois amigos, mas nunca chegou a ser acusado. É casado e tem quatro filhos.

Jean-Frédéric Poisson

› Deputado por Yvelines, é desde 2013 o líder do Partido Cristão-Democrata (formação aliada d"Os Republicanos). Doutorado em Filosofia, foi presidente da Câmara de Rambouillet. Tem 53 anos e é casado.

François Fillon

› Ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy entre 2007 e 2012, tinha antes sido ministro de várias pastas de Jacques Chirac. Deputado por Paris, depois de vários anos eleito por Sarthe, tem 62 anos. É casado e tem cinco filhos.

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