Saudações nazis e outras histórias dos dois eurodeputados agora suspensos

O italiano Gianluca Buonanno e o polaco Janusz Korwin-Mikke são eurocéticos e defendem a inferioridade feminina e um fundo para a compra de armas

O Parlamento Europeu confirmou uma multa e uma suspensão de dez dias de atividade parlamentar a um eurodeputado italiano e outro polaco por apologia do nazismo, nomeadamente por terem feito a saudação nazi durante uma sessão plenária. As sanções contra o italiano Gianluca Buonanno e o polaco Janusz Korwin-Mikke tinham já sido decididas a 14 de outubro e foram ratificadas na passada terça-feira pela Mesa do Parlamento Europeu, composta pelo presidente, Martin Schulz, e os 14 vice-presidentes.

A suspensão de atividade parlamentar por dez dias consecutivos não inclui o direito a votar em plenário e os eurodeputados têm ainda que pagar uma multa de 3060 euros. O polaco fez a saudação nazi no plenário de julho em protesto contra uma proposta de bilhete de transporte europeu e em setembro referiu-se aos migrantes como "lixo humano". Já o italiano decidiu vestir, no dia 6, uma camisola com a cara da chanceler alemã, Angela Merkel, misturada com uma foto de Hitler durante um debate sobre o escândalo da Volkswagen. No plenário do dia seguinte, que contou com as presenças de Merkel e do presidente francês, François Hollande, brindou os dois líderes com a saudação nazi.

Esta não é a primeira vez que estes dois eurodeputados, ambos de direita e eurocéticos, se tornam notícia pela forma como defendem as suas posições políticas ou são sancionados pelo Parlamento Europeu.

As mulheres não deveriam ter o direito de voto

Korwin-Mikke, de 73 anos, é uma figura popular nas redes sociais pelas suas opiniões políticas polémicas e pela forma peculiar como as defende. Uma delas tem a ver com as mulheres que, na sua opinião, não se interessam por política. "As mulheres não deveriam ter o direito de voto. Escolham uma reunião política ao acaso e vejam quantas mulheres estão presentes", declarou várias vezes. Sobre este tema diz ainda que as mulheres, no geral, são menos inteligentes do que os homens e que para provar isso basta ver que no top 100 dos jogadores de xadrez existe apenas uma representante do sexo feminino.

Ironicamente, a maior referência política deste polaco é Margaret Thatcher, com quem esteve por três vezes. "Ela era uma mulher muito prática. Ela quebrou os sindicatos e era muito eficiente. Acho que ela tem mais admiradores na Polónia do que em Inglaterra", declarou Korwin-Mikke ao jornal The Telegraph no funeral da antiga primeira-ministra britânica, em 2013.

Entre as suas opiniões polémicas estão também as alegações de que não existem provas de que Adolf Hitler tinha conhecimento do Holocausto e que a diferença entre violação e sexo consensual é muito subtil. Na campanha para as eleições europeias de 2014, nas quais foi eleito, defendeu também que o edifício Berlaymont em Bruxelas, onde funciona a sede da Comissão Europeia, deveria ser transformado num bordel.

Em julho do ano passado, Korwin-Mikke já tinha sido suspenso das suas funções de eurodeputado por dez dias. Em causa estava uma intervenção que fez contra a política europeia de emprego jovem que acabou por ser interrompida, e mais tarde sancionada, pelo presidente do Parlamento Europeu.

"Vinte milhões de jovens europeus são tratados como negros", disse. "Penso que esta linguagem é ofensiva, racista e contrária aos princípios básicos do Parlamento Europeu", referiu, por seu turno, Martin Schulz, ao justificar a sanção.

Cara pintada de negro

Mais novo, tem apenas 49 anos, o italiano tem um historial de polémicas menos extenso, mas igualmente colorido. Gianluca Buonanno, que acumula o cargo de eurodeputado com a presidência da Câmara da sua terra natal, surgiu empunhando uma arma durante uma entrevista televisiva. Motivo: criticar as leis de defesa pessoal italianas e anunciar a criação de um fundo para ajudar os seus munícipes a comprar uma arma.

É melhor ter os cemitérios cheios de criminosos do que as prisões vazias

"É melhor ter os cemitérios cheios de criminosos do que as prisões vazias", declarou o militante da Liga Norte nessa entrevista, explicando que com este fundo pretende "aumentar a capacidade de defesa e segurança dos meus concidadãos".

Numa das suas últimas intervenções no Parlamento italiano, onde esteve entre 2008 e 2014, Buonanno fez um discurso contra a imigração... com a cara pintada de negro. "Penso que os italianos, em vez de irem às esquadras da polícia e se declararem refugiados políticos, devem escurecer-se e começar a dizer que também precisam de ajuda".

Já no Parlamento Europeu, durante a ratificação do Acordo de Associação entre a Ucrânia e a UE, usou uma t-shirt com a mensagem "Não às sanções à Rússia".

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