Sarkozy deixa liderança do partido a pensar no regresso ao Eliseu

Ex-presidente não pode continuar à frente d"Os Republicanos se quer ser candidato às primárias da direita, em novembro

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou que vai deixar a liderança do partido Os Republicanos (sucessor da União para o Movimento Popular), a pensar nas primárias de novembro que vão escolher quem será o candidato da direita nas presidenciais de 2017. "Este conselho nacional vai ser o meu último como líder d"Os Republicanos", disse Sarkozy no sábado à noite.

De acordo com as regras, o ex-presidente não poderia concorrer às primárias se continuasse à frente do partido, tendo que se demitir até 26 de agosto, duas semanas antes do final do prazo para apresentar candidaturas. Os militantes d"Os Republicanos e de outros partidos de direita e centro-direita vão escolher em novembro quem será o candidato às presidenciais de 2017. O vencedor vai defrontar o candidato socialista, presumivelmente o presidente François Hollande, assim como a líder da extrema-direita, Marine Le Pen.

No discurso, o ex-presidente, de 61 anos, pediu para que as primárias sejam um debate justo e não um confronto entre os candidatos. "Estas primárias vão ser um momento de competição entre fortes personalidades, entre pessoas de grande talento", disse. "Quando a direita vai para a guerra, tem uma frente à esquerda e outra na extrema-direita. É por isso que é inaceitável que nos ataquemos uns aos outros", referiu.

Sondagens

Durante a maior parte do ano, o rival de centro-direita de Sarkozy, o ex-primeiro-ministro Alain Juppé (1995-1997), tem surgido como o favorito nas sondagens. Mas o ex-presidente, que esteve no Eliseu entre 2007 e 2012, está a ganhar terreno entre os apoiantes do partido, segundo a mais recente sondagem da TNS Sofres.

Os números revelados na passada quinta-feira mostram que o apoio de Sarkozy subiu de 48% para 65% entre os militantes d"Os Republicanos, com Juppé a perder a liderança, caindo 14 pontos percentuais para os 52%. Outros nomes podem ainda entrar na corrida, como o ex-primeiro-ministro François Fillon, o ex-ministro Bruno Le Maire ou a antiga candidata a presidente da câmara de Paris, Nathalie Kosciusko-Morizet.

Apesar de ainda não ser oficialmente candidato, Sarkozy tem viajado pelo país nos últimos meses, fazendo discursos e assinando cópias do livro de memórias que publicou no início do ano, intitulado La France pour la vie (França para sempre, em tradução livre). Juppé tem criticado o facto de o adversário explorar a sua posição como líder partidário. "Ele tem semeado a confusão entre o Sarkozy, líder partidário, e o Sarkozy, candidato às primárias", afirmou o ex-primeiro-ministro, de 70 anos.

Apesar do aumento do apoio ao ex-presidente entre os eleitores da direita, Juppé continua a ser mais popular entre o eleitorado em geral. Segundo a sondagem, o ex-primeiro-ministro conseguiria 36% dos votos contra 19% de Sarkozy, o que implica que poderá ter dificuldades em conseguir voltar ao Eliseu, mesmo se vencer as primárias da direita.

François Bayrou, fundador e líder do Movimento Democrático (centro-direita), apoia a candidatura de Juppé e já disse que se Sarkozy ganhar as primárias, vai retirar o apoio do seu partido e concorrer em nome próprio ao Eliseu em 2017.

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