Sarkozy ataca Hollande mas ambos perdem nas sondagens

Ex-primeiro-ministro Alain Juppé lidera intenções de voto nas primárias d'Os Republicanos e é também o candidato mais forte na luta contra Marine Le Pen nas presidenciais

Nicolas Sarkozy decidiu atacar François Hollande de forma violenta. "Cobardia" e "total falta de autoridade" são dois dos mimos que o ex-presidente francês dedica ao seu sucessor numa entrevista publicada na íntegra hoje no Valeurs Actuelles.

Estas críticas surgem no meio da contestação social que tem agitado a sociedade francesa - com inúmeras manifestações e greves - na sequência da aprovação da nova lei do trabalho. Sarkozy condena Hollande tanto pela forma como pelo conteúdo. "Desde o início que fez tudo errado. Não poderia jamais ter recorrido ao artigo 49.3 da Constituição para, à força, fazer passar o documento e assim evitar o debate. Além disso, o texto da lei é demasiado frouxo para resolver os problemas, mas, ao mesmo tempo, suficientemente irritante para suscitar reações apaixonadas da esquerda", explica o presidente d"Os Republicanos (ex-UMP).

A resposta que o executivo tem dado à crescente contestação também merece a censura de Sarkozy: "O governo mostrou fraqueza perante a rua. Aquilo que temos hoje é o caos". Nesse sentido, o ex-presidente defende que os organizadores dos protestos deveriam ser responsabilizados civilmente pelos danos causados durante as manifestações e advoga penas de prisão para todos aqueles que agridam agentes da polícia.

Primárias e presidenciais

Sobre uma eventual candidatura às primárias republicanas, que terão lugar em novembro, Sarkozy limita-se a dizer que já tomou uma decisão, sem, no entanto, revelar se irá ou não a votos.

Para já, a cerca de seis meses do confronto, as sondagens não lhe são favoráveis. Um estudo divulgado ontem pelo jornal Le Monde mostra uma clara vantagem de Alain Juppé, ex-primeiro-ministro (1995-1997) e atual presidente da câmara de Bordéus, com 41%, face a apenas 27% de Sarkozy. Em segundo e em terceiro lugar surgem dois ex-membros do governo de Sarkozy: Bruno le Maire, ex-ministro da Agricultura, com 16%; e François Fillon, ex-primeiro-ministro, com 10%.

As mais recentes sondagens sobre uma hipotética segunda volta nas primárias entre Juppé e Sarkozy apontam também para uma vitória do autarca de Bordéus com percentagens acima dos 60%.

A primeira volta será disputada a 20 de novembro e a segunda, caso nenhum dos candidatos consiga mais do que 50%, terá lugar uma semana depois, a 27 do mesmo mês. Falta meio ano, mas não será fácil para o ex-presidente conseguir recuperar terreno suficiente para surgir como o candidato da direita às presidenciais de 2017.

Porém, apesar de as perspetivas de Sarkozy não serem fáceis, quem anda verdadeiramente pelas ruas da amargura no que às intenções de voto diz respeito é François Hollande, que na sondagem do Le Monde consegue apenas 14% como candidato presidencial. Pior ainda: a percentagem dos inquiridos que se declaram satisfeitos com a atuação do presidente é de apenas 5%, o que compara com os 72% que afirmam não estar contentes.

A menos que Hollande e os socialistas consigam inverter a tendência de queda, tudo indica que a segunda volta das presidenciais será disputada entre a direita (Juppé ou Sarkozy) e a extrema-direita (Marine Le Pen).

Caso Sarkozy vença as primárias d"Os Republicanos e seja o candidato da direita, Marine Le Pen será a vencedora da primeira volta com 28%. A seguir à líder da Frente Nacional surgem, nas intenções de voto, Sarkozy (21%), Hollande (14%), François Bayrou (13%) e Jean-Luc Mélenchon (12%).

Caso Juppé seja o escolhido pela direita será ele o vencedor da primeira volta com 35%, ficando Le Pen em segundo lugar com os mesmos 28% que teria contra Sarkozy.

Os estudos mais recentes mostram que a candidata da extrema-direita sairá sempre derrotada na segunda volta quer o adversário seja Juppé ou Sarkozy.

Marine Le Pen só teria possibilidades de ser eleita num hipotético mas quase impossível confronto decisivo com François Hollande.

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