Abdeslam formalmente acusado na Bélgica vai colaborar com as autoridades

Suspeito de ter participado nos atentados de 13 de novembro, em Paris, recusa ser extraditado para França, revelou o advogado

Salah Abdeslam, o principal suspeito dos atentados do passado mês de novembro, em Paris, foi este sábado formalmente acusado de homicídio e participação nas atividades de grupo terrorista, informou a procuradoria belga em comunicado, citado pela agência Reuters.

Um segundo indivíduo, que foi também detido na operação de sexta-feira, em Molenbeek, foi acusado dos mesmos crimes. Trata-se de Monir Ahmed Alaaj, conhecido como Amine Choukri - ambos os nomes surgem, segundo os responsáveis pela investigação, em documentos falsos. Um terceiro homem, igualmente detido na sexta-feira na residência onde se encontrava Abdeslam, foi acusado de participação em grupo terrorista e de auxílio a rede criminosa - chama-se Abid Aberkan. Deste mesmo crime foi acusada uma outra mulher que esteve detida, mas foi entretanto libertada, identificada como Djemila M. Uma segunda mulher foi libertada sem qualquer acusação. Dos cinco detidos na megaoperação em Molenbeek, só três permanecem, portanto, sob custódia das autoridades.

Abdeslam recusa extradição mas vai colaborar

Salah Abdeslam, por seu turno, vai cooperar com as autoridades mas recusa ser extraditado para França, revelou o seu advogado o belga, Sven Mary. Segundo a agência Reuters, Mary disse à imprensa em Bruxelas que o seu cliente irá cooperar com a justiça belga, tendo acrescentado: "A França está a pedir a sua extradição. Posso dizer-vos que ele irá recusar a extradição para França".

Sven Mary tinha afirmado na sexta-feira que recusaria defender Abdeslam, de 26 anos, se ele negasse ter estado em Paris no momento dos atentados de 13 de novembro. Questionado hoje sobre isso, o advogado respondeu: "Ele estava lá".

Depois de ter passado a primeira noite em cativeiro num hospital de Bruxelas, o terrorista deverá agora ser levado para uma prisão de alta segurança na cidade de Bruges, enquanto aguarda pelo seguimento das diligências legais, adianta a Reuters.

A recusa de extradição pode atrasar o processo mas, segundo especialistas, não põe em causa a transferência do acusado para França, na medida em que Abdeslam era alvo de um mandado de detenção internacional.

Salah Abdeslam, francês residente em Bruxelas e considerado pelas autoridades decisivo na logística dos ataques de Paris, que fizeram 130 mortos e mais de 300 feridos, foi detido na sexta-feira no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, depois de mais de quatro meses em fuga.

Família de Abdeslam confessa "allívio"

Num comunicado lido à televisão belga RTBF, a advogada do irmão de Salah Abdeslam, Mohammed Abdeslam, transmitiu que a família do terrorista está "aliviada" com a sua detenção. "Em primeiro lugar, porque Salah foi detido vivo", explicou Nathalie Gallant, que defende igualmente Abid Aberkan, o homem que alojou Abdeslam em Molenbeek e foi também detido na sexta-feira, acusado de participação em grupo terrorista. "Era uma das esperanças da família", continuou a advogada. "Alívio também porque a caça ao homem chegou ao fim, e é preciso recordar que esta família esteve sob uma pressão constante nos últimos quatro meses", acrescentou.

Com Lusa

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