Robert Mugabe vence prémio chinês da paz

O prémio Confúcio foi para o presidente do Zimbabwe há 35 anos, acusado de usar violência e tortura contra o seu povo

O presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, que governa o país africano há 35 anos, foi o vencedor deste ano do prémio Confúcio da Paz. O chefe do comité e atribuição do prémio Confúcio, conhecido como o Nobel chinês, afirma que Mugabe "injetou energia fresca" na procura mundial de harmonia entre as nações. A oposição do Zimbabwe afirmou-se "enojada".

De acordo com o jornal britânico The Guardian, que cita a imprensa local, Robert Mugabe venceu o prémio Confúcio da paz ultrapassando candidatos como o fundador da Microsoft e filantropo Bill Gates, ou a Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye. Os organizadores sublinharam que o presidente do Zimbabwe "trabalhou para trazer ordem política e económica ao país" nos 35 anos em que deteve o poder.

É um sádico que tira prazer do sofrimento do povo

A decisão chocou tanto organizações de direitos humanos como a oposição do Zimbabwe. Gorden Moyo, líder de um dos partidos da oposição, o Partido Democrático do Povo (PDP), disse que o seu partido ficou "enojado" ao saber da condecoração. "O domínio de Mugabe está marcado por sangue, violência, fogo posto e crueldade", afirmou ao jornal Bulawayo 24. Moyo chegou mesmo a apelidar Mugabe de "sádico que tira prazer do sofrimento do povo".

Mugabe já foi frequentemente acusado de abusar do poder e dos direitos humanos, e de usar a violência e a tortura para manter o poder no país. Um relatório da organização Human Rights Watch alertava, em 2008, para o aumento na violência estatal contra os seus opositores e contra os cidadãos.

"Francamente, havia problemas internos com a atribuição do prémio da paz a Mugabe", afirmou Liu Zhiqin, um dos membros do comité de 76 pessoas, que explica que só 36 votaram em Mugabe. "Ele está no poder há tanto tempo que poderia facilmente ser chamado ditador, tirano ou déspota".

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