Rio de Janeiro: Polícia brasileira encontra três corpos em cemitério clandestino

Corpos foram levados para o Instituto Médico Legal para identificação. Esta não é a primeira vez que as autoridades brasileiras encontram túmulos clandestinos.

As autoridades brasileiras descobriram, na quinta-feira, três corpos num cemitério clandestino no estado do Rio de Janeiro, que teria sido usado por uma milícia conhecida como 'Caçadores de Gansos', que atua na região, afirmaram fontes oficiais.

O cemitério, localizado no bairro Parque Sarandi, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foi encontrado durante uma ação realizada por agentes da Esquadra de Homicídios da Baixada Fluminense, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público.

Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal para identificação e perícia técnica. A Polícia Civil e o Ministério Público investigam agora homicídios relacionados com as vítimas encontradas no local.

Os agentes chegaram até ao cemitério clandestino com base numa denúncia anónima que relatou que a localidade seria usada pela milícia 'Caçadores de Gansos', chefiada pelo foragido Carlos Luciano Soares da Silva, já indiciado em diversos inquéritos policiais por crimes de homicídio. Esta não é a primeira vez que as autoridades encontram um túmulo clandestino.

Na semana passada, autoridades brasileiras descobriram oito corpos, alguns deles mutilados, num cemitério clandestino no Rio de Janeiro, que teria também sido usado por milícias.

Os restos mortais, entre ossadas e alguns corpos em estado de decomposição, foram descobertos num túmulo na cidade de Belford Roxo, município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, numa área assolada pela violência. Marcas de tiros foram identificadas na maioria dos corpos e alguns encontravam-se desmembrados, disseram as autoridades.

No mês passado, foi descoberto um outro cemitério ilegal com 17 corpos no município de Itaboraí, na mesma região metropolitana. Segundo a polícia, o grupo que opera em Itaboraí está ligado à milícia que controla uma ampla região no oeste do Rio de Janeiro, conhecida como Curicica, liderada por Orlando Oliveira de Araújo, mais conhecido como Orlando Curicica, que se encontra preso desde outubro 2017 num estabelecimento prisional de segurança máxima.

As autoridades locais estimam que as milícias controlam cerca de um quarto do território do estado do Rio de Janeiro. Com início na década de 1990, as milícias eram compostas, principalmente, por ex-polícias, bombeiros e militares que queriam combater a ilegalidade nos seus bairros.

Durante anos, chegaram a ser elogiadas por políticos, incluindo o agora Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que, como deputado, pediu a legalização das milícias em 2008. No entanto, os seus métodos brutais e áreas de controlo expandiram-se até aos dias de hoje e, segundo especialistas em segurança, estes grupos criminosos estão envolvidos em extorsão, negócios ilícitos e até homicídios.

Atualmente, alguns especialistas em crime argumentam que as milícias são a maior ameaça à segurança do Rio de Janeiro e que os seus métodos estão a ser copiados noutras cidades brasileiras.