Líder de agência ambiental discorda que CO2 provoque aquecimento global

Scott Pruitt contraria informações que estão no próprio site do organismo que dirige

O diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos EUA, Scott Pruitt, afirmou ontem não acreditar que o dióxido de carbono seja uma das causas principais do aquecimento global.

"Creio que medir com precisão a (influência da) atividade humana sobre o clima é algo muito desafiante. Existe um grande desacordo sobre a dimensão deste impacto. Portanto, não estou de acordo que seja uma causa principal do aquecimento global", disse.

"Ignoramos. Precisamos de continuar a debater, a rever e a analisar", disse Pruitt, em declarações à estação televisiva CNBC.

O comentário de Pruitt, um cético das alterações climáticas, contradiz a posição pública da agência que dirige, que tem escrito, na sua página oficial na Internet, que "o dióxido de carbono é o principal gás com efeito de estufa que está a contribuir para as recentes alterações climáticas".

A opinião de Pruitt também está em frontal divergência com a da agência espacial NASA ou a da vocacionada para os oceanos e a atmosfera, NOAA.

Em janeiro último, a NASA e a NOAA garantiram que "a temperatura média da superfície do planeta aumentou 1,1 graus Celsius desde finais do século XIX, subida atribuída em grande medida ao aumento do dióxido de carbono e outras emissões de responsabilidade humana na atmosfera".

Pruitt também considerou "mau" o histórico Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, negociado em 2015 por mais de 190 líderes internacionais, incluindo o então presidente dos EUA, Barack Obama.

Este acordo, que vai substituir em 2020 o Protocolo de Quioto, pretende manter o aumento médio da temperatura mundial abaixo dos dois graus centígrados em relação ao nível pré-industrial.

O senador democrata Brian Schatz, copresidente do Grupo de Trabalho do Senado para o Clima, criticou hoje Pruitt pelas suas ideias "extremistas" e "irresponsáveis".

Em comunicado, este senador disse: "Quem quer que negue o valor de mais de um século de investigações científicas e factos básicos não está qualificado para ser o diretor da EPA".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG