Habitantes de Toronto estão chocados, mas confiam na segurança da cidade

Toronto continua a ser uma cidade segura, apesar do atropelamento em massa que ocorreu na segunda-feira

Horas depois de um atropelamento em massa matar dez pessoas e ferir outras 15 em Toronto, residentes ouvidos pela Lusa numa vigília de solidariedade admitiram estar chocados com o ataque, mas confiantes na segurança da cidade.

O atropelamento mortal ocorreu por volta das 13:30 (18:30 em Lisboa) de segunda-feira, na área da Yonge Street e de Finch Avenue até à Sheppard Avenue, a dois quilómetros do local onde foi detido o suspeito, 26 minutos após a linha de emergência (911) ter sido notificada pela primeira vez.

Ao final do dia, o Chefe da Polícia de Toronto, Mark Saunders, identificou o suspeito como Alek Minassian, de 25 anos, a residir em Richmond Hill, a norte de Toronto.

Na segunda-feira à noite, junto ao local do incidente, várias dezenas de pessoas juntaram-se para homenagear as vítimas, numa vigília de solidariedade.

Uma testemunha do acidente, que se quis identificar apenas por Alexandra, contou que por volta das 14:00, estava a passear o seu cão, quando ouviu as sirenes dos veículos de emergência.

"Fui para casa, olhei pela janela e vi pessoas estendidas no chão. À frente do meu prédio estavam quatro pessoas. Depois veio a polícia e as ambulâncias e meteram-nos em macas. Demorou cerca de hora e meia e muitos deles perderam a vida", revelou a mulher.

"Esta é uma tragédia que acontece uma vez num milhão de hipóteses. Não é para sempre que vais guardar isto na memória, só tens que seguir em frente, homenagear as vítimas e confortar as vítimas", sublinhou.

A residir a um quarteirão do local do ataque, Alexandra explicou que, ao ver todo o aparato com as equipas de emergência no local, entrou em contacto com os amigos que residem e trabalham na área, para assegurar "se estavam bem e em segurança".

Outro dos residentes na área, Amirali Rokn, um estudante de engenharia mecânica na Universidade de Ryerson, revelou que se encontrava em casa quando ouviu as "ambulâncias e helicópteros".

O Canadá "é um país muito calmo", pelo que não se espera uma tragédia desta dimensão

"Telefonei logo aos meus amigos porque algo de grave tinha acontecido. Liguei à minha mãe pois ela podia estar preocupada. Olha por ti e tenta chegar seguro a casa, foi o que ela me ensinou", disse.

Natural do Teerão, no Irão, e há dois anos a viver no Canadá, Rokn resolveu participar na vigília, algo que considera "positivo de se ver" reconhecendo ainda estar triste ao ver a "Yonge [Street] tão calma e fechada ao trânsito".

"Espero que este tipo de incidentes não volte a acontecer. Que este seja o primeiro e último. (...) É algo que nunca devia repetir-se", lamentou.

Para Tatiana Orlova, proveniente de Moscovo, na Rússia, e há 20 anos a viver no Canadá, "foi um choque enorme", apesar de não se ter apercebido na altura exata em que ocorreu o acidente.

"Estava ocupada quando ocorreu o incidente. Depois vi pessoas mortas na rua. Foi um choque enorme para mim. Não sei o que se passou aqui", disse.

O atropelamento ocorreu quando "muitas pessoas estavam a aproveitar a hora de almoço"

A testemunha lembrou que o Canadá "é um país muito calmo", pelo que não se espera uma tragédia desta dimensão.

No local onde ocorreu o atropelamento mortal está localizado um 'arranha céus', um grande centro centro de negócios, uma zona muito movimentada.

O atropelamento ocorreu quando "muitas pessoas estavam a aproveitar a hora de almoço", disse Orlova.

A vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, a luso-canadiana Ana Bailão, manifestou na segunda-feira um "sentimento de angústia, de dor e de pesar pelas vítimas e pelas suas famílias".

A vereadora eleita pelo distrito eleitoral da Davenport (Bairro 18) não mostrou dúvidas de que Toronto "continua a ser uma cidade segura", apesar deste tipo de incidentes serem "muito imprevisíveis".

A polícia de Toronto disponibilizou uma linha destinada a obter ajuda na investigação (416-808-8750)

Ana Bailão revelou ainda que as autoridades locais reforçaram a segurança, principalmente, nos principais centros turísticos e nos eventos desportivos.

A polícia de Toronto disponibilizou uma linha destinada a obter ajuda na investigação (416-808-8750), sendo que todos aqueles que foram afetados pelo incidente devem contactar o serviço de apoio às vítimas: 416 808 7066.

No Twitter, a polícia da capital económica do Canadá indicou ainda que o atropelamento ocorreu às 13:27 locais (18:27 de Lisboa), mas não precisou se se tratou de um ato deliberado ou de um acidente.

O atropelamento coincidiu com a realização esta terça-feira, em Toronto, da cimeira de ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, em que se debaterá, entre outros assuntos, a adoção de medidas antiterroristas e contra o extremismo 'jihadista'.

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