Redes sociais quase sem capacidade de resposta para filtrar "guerra" pós-eleitoral de Trump

As empresas de redes sociais têm insistido em manter regras mais apertadas mesmo após as eleições americanas, mas já sentem grandes dificuldades em conseguir filtrar toda a desinformação que se gerou com a recusa de Donald Trump em aceitar os resultados eleitorais.

Os grandes grupos de tecnologia estão a enfrentar um período alargado de incerta após Donald Trump ter contestado os resultados das eleições presidenciais americanas, escreve esta quinta-feira o The Washington Post.

As empresas de redes sociais têm insistido em manter regras mais apertadas que iniciaram antes e durante o período eleitoral, mas estão agora com grandes dificuldades em conseguir filtrar a verdadeira "guerra" de informação e desinformação criada neste período pós-eleitoral.

O Facebook anunciou esta quarta-feira que vai prolongar a medida de banir anúncios políticos por mais um mês, reconhecendo que os resultados das eleições americanas vão continuar a ser disputados nos tribunais. "Nunca planeámos tornar definitivas essas medidas temporárias", admitiu o porta-voz Andy Stone.

Ao mesmo tempo, a maior rede social do mundo redirecionou as suas equipas de moderação de conteúdos para se focarem apenas em conteúdos considerados problemáticos, com as eleições americanas a merecer a máxima prioridade.

"É um ritmo insustentável. Temos demasiados recursos focados num único evento. Temos grandes equipas dedicadas à desinformação relacionada com as eleições para oferecerem níveis de resposta como os que temos visto. É um trabalho muito intensivo", afirmou Alex Stamos, do Facebook.

Além das publicações a filtrar, a rede social tem ainda que lidar com o facto de terem sido criados, nos últimos dias, muitos grupos problemáticos ligados a apoiantes de Trump, por incitarem à violência, apesar de terem sido já implementadas novas restrições.

Paralelamente, o Partido Democrata tem pressionado o Facebook para permitir anúncios políticos no estado da Geórgia durante a segunda volta no Senado. A empresa respondeu, no entanto, que não tem a capacidade de permitir apenas anúncios num determinado local ou de somente um determinado anunciante.

O Twitter, por seu lado, também tem levado a cabo uma estratégia agressiva para filtrar comentários nos dias que se seguiram às eleições, tendo apagado milhares de tweets no período pós-eleitoral, incluindo vários de Trump e do seu filho Eric.

Ao todo, foram já mais de 300 mil tweets marcados por esta rede social, com o porta-voz, Nick Pacilio a garantir que este esforço prosseguirá até que os resultados eleitorais sejam definitivos.

Outra medida tomada pelo Twitter foi a desativação do botão de "retweet" destes posts, algo que, segundo a mesma fonte, permanecerá até ordem em contrário. Resultado? Cerca de 30% menos pessoas repartilharam os twets marcados como contendo informação duvidosa.

A Google também está a banir publicidade política, tanto no seu motor de busca como noutros canais da empresa, incuindo o YouTube, e rejeitou partilhar com o jornal americano qualquer informação sobre a previsão de timings para esta política.

Este corte implica naturalmente um menor rendimentos de publicidade para a empresa do maior motor de buscas do mundo, que -- coincidência ou não -- esta semana anunciou que vai deixar de guardar as fotos dos utilizadores ilimitadamente de forma gratuita.

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