RCA. Constitucional rejeita último recurso da oposição para adiar eleições

Os pedidos de adiamento baseavam-se na insegurança que se vive no país, onde estão atualmente 243 militares portugueses em missões da ONU e da UE

O Tribunal Constitucional da República Centro-Africana rejeitou este sábado o último recurso da oposição para adiar as eleições presidenciais e legislativas de domingo no país, que está a ser atacado por grupos rebeldes que controlam dois terços do território.

Pelo menos seis candidatos opositores do Presidente Faustin Archange Touadéra, o favorito a ganhar as eleições, tinham interposto recursos invocando que a insegurança na maior parte do território e a recente retirada de um dos candidatos, no seu entender, justificaria o adiamento da votação.

"Os pedidos de adiamento devem ser rejeitados", segundo decisão lida no final da audiência pela presidente do Tribunal, Danielle Darlan, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A RCA elege no domingo o Presidente do país, com o atual chefe de Estado, Faustin Archange Touadéra, a surgir como o principal favorito à vitória para um novo mandato de cinco anos.

A corrida presidencial, que conta com 17 nomes no boletim de voto, fica marcada pela ausência do antigo Presidente François Bozizé, que viu a sua candidatura invalidada no início do mês pelo Tribunal Constitucional.

As eleições realizam-se depois de uma crescente tensão nos últimos dias.

No passado dia 19, o Governo centro-africano acusou o ex-Presidente François Bozizé de uma "tentativa de golpe de Estado", algo que o partido do antigo chefe de Estado viria a negar no dia seguinte.

Os líderes dos três principais grupos armados, que ocupam grande parte do território da RCA e conduzem uma ofensiva no norte e oeste do país, anunciaram o estabelecimento de uma coligação entre si.

Esta coligação de grupos armados rebeldes declarou, na quarta-feira, um cessar-fogo no país, exigindo a suspensão das eleições presidenciais e legislativas, mas voltou atrás com a decisão na sexta-feira.

A República Centro-Africana foi devastada pela guerra civil depois de uma coligação de grupos armados dominados por muçulmanos, a Séléka, ter derrubado o regime do Presidente François Bozizé em 2013.

Os confrontos entre a Séléka e milícias cristãs e animistas anti-Balaka provocaram milhares de mortes.

A recém-criada coligação reúne agora grupos das milícias Séléka e anti-Balaka contra o regime do Presidente Faustin Archange Touadera.

Desde 2018, a guerra evoluiu para um conflito de baixa intensidade no qual grupos armados competem pelo controlo dos recursos do país, principalmente gado e minerais, e cometem regularmente abusos contra a população civil.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a missão da ONU (Minusca) e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro-general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

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