Quem apoia quem na segunda volta das presidenciais do Brasil

Depois de decidida a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil é hora de escolher entre Bolsonaro e Haddad. Candidatos derrotados já revelaram em quem vão votar no próximo dia 28 de outubro. Ou pelo menos em quem não vão votar...

Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), e Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), defrontam-se no próximo dia 28 de outubro na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil e têm três semanas para reunir apoios. O candidato da extrema-direita foi o vencedor da noite eleitoral de domingo ao obter 46% dos votos (com 99% das urnas apuradas) enquanto Haddad conseguiu 29,3% das preferências do eleitorado.

Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ficou em terceiro lugar com 12,5%, e garante que vai ser oposição ao "fascismo", embora não tenha assumido o seu apoio a Haddad. "Ele não, sem dúvidas", disse aos jornalistas, numa clara alusão a Jair Bolsonaro e ao movimento contra o candidato de extrema-direita. "A minha história de vida é uma história de defesa da democracia e contra o fascismo", declarou Ciro Gomes, que disse ir reunir com os membros do partido para uma tomada de posição.

Já o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, que apenas conseguiu alcançar 0,58% dos votos dos brasileiros, usou a rede social Twitter para apoiar Fernando Haddad na segunda volta das presidenciais.

"Fizemos uma campanha de cabeça erguida e plantámos sementes para o futuro. Agradecemos a todos os que depositaram os seus sonhos nas urnas votando 50 [posição do candidato no boletim de voto]. Agora estaremos nas ruas para derrotar o fascismo e eleger quem representa a democracia no segundo turno: Fernando Haddad", escreveu Boulos.

Já no momento do voto, o candidato do PSOL teceu duras críticas a Bolsonaro. "Sempre estivemos nas ruas para barrar o atraso. Ele não, ele jamais. Não podemos brincar com o país que está à beira do abismo. Ditadura nunca mais", afirmou.

João Doria apoia Bolsonaro

"Eu não sou o presidente do partido. Sou João Doria. E, como João Doria, anuncio o meu apoio a Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad, fantoche de Lula", disse, no domingo, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que recebeu mais de seis milhões de votos para o governo de São Paulo e ficou apurado para a segunda volta.

Aliás, Haddad já foi derrotado por João Doria na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2016.

"Quero deixar claro, para que não tenham dúvidas, que amanhã [Segunda-feira] serei um brasileiro contra o PT e contra o Fernando Haddad. Já foi derrotado aqui uma vez, em São Paulo, e será derrotado outra vez", afirmou, citado pelo site de notícias UOL.

Questionado sobre se o apoio a Bolsonaro não iria contra a campanha presidencial de Geraldo Alckmin do PSDB, que acusou Bolsonaro de "ser despreparado" e de "maltratar mulheres", Doria desviou-se da questão.

"Não apoio nenhum maltrato a ninguém. Não apoiamos nenhuma iniciativa de agressão às mulheres. Entendo as críticas como parte de uma campanha rígida", argumentou.

Geraldo Alckmin, que alcançou apenas 4% dos votos dos brasileiros, afirmou, no entanto, que o partido vai reunir-se esta terça-feira, 9 de outubro, para decidir uma eventual declaração de apoio.

Marina Silva contra projetos autoritários

João Amoêdo, de Novo, partido de direita, garantiu que "não há possibilidade de apoiar o PT". O partido vai, por isso, avaliar um possível apoio a Jair Bolsonaro. "O PT mostrou-se muito desalinhado durante todo este tempo com os ideiais do Novo, principalmente com as práticas, pois não basta ter as mesmas ideias. Então, o que vai pautar qualquer decisão é a pauta de trabalho. Precisamos entender um opuco mais as ideias de Bolsonaro", explicou Amôedo, citado pelo jornal Estadão .

Marina Silva, que ficou em oitavo lugar nas eleições do passado domingo, afirmou que vai discutir com os elementos da Rede a posição a adotar para a segunda volta, disputada entre Bolsonaro e Haddad. Sem referir nomes, deu a entender que não irá apoiar o candidato do PSL. "Não temos nenhuma identificação com nenhum projeto autoritário, pelo menos da minha parte. Mas também é preciso que se reconheça que a democracia é prejudicada tanto pelas ideias autoritárias quanto pelo uso da corrupção que distorce a opção soberana dos eleitores como aconteceu em 2014 com tudo o que está aí", afirmou.

A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil foi adiada para 28 de outubro, com a eleição a ser disputada entre Jair Bolsonaro, da extrema-direita brasileira, e Fernando Haddad, que substituiu Luís Inácio Lula da Silva, como candidato do PT.

Neste domingo, 147 milhões de brasileiros foram às urnas para escolher um novo Presidente, membros da Câmara dos Deputados e do Senado, além de governadores e legisladores regionais em todo o país.

Com Lusa

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